Romanos 9 vs 1
Neste capítulo, o apóstolo começa a evitar as ofensas que pode-riam desviar de Cristo a mente humana. Porque os judeus, para quem [Cristo] fora designado através do pacto da lei, não só o rejeitavam ou menosprezavam, senão que a maioria o detestava. Uma de duas conclusões pode-se deduzir deste fato: ou que não existe verdade alguma na promessa divina, ou que o Jesus, então proclamado por Paulo, de forma alguma era o Cristo do Senhor, que fora particular-mente prometido aos judeus. Em suas afirmações subsequentes, Paulo oferece uma excelente solução para ambas essas dificuldades.
Ele trata este tema, não obstante, com uma habilidade tal que desfaz aquela aspereza que poderia transparecer aos judeus, evitando que viessem a sentir algum rancor. Ele, contudo, não lhes oferece nada que significasse prejuízo para o evangelho, senão que lhes confirma seus privilégios de uma forma tal que não constituísse, também, qualquer prejuízo para a pessoa de Cristo. Mas ele passa à discussão do presente tema de uma forma tão abrupta que parece não haver conexão alguma com seu discurso anterior,' e no entanto começa sua nova exposição como se não fosse qualquer novidade. Eis a razão para tal procedimento: havia ele completado a discussão da doutrina que estivera defendendo, e quando volve sua atenção para os judeus, sente-se atônito com a incredulidade deles, como se para eles isso fosse algo inusitado; e então, de súbito, se deixa impelir por veemente protesto, como se estivesse tratando do mesmo tema que já havia discutido. Ninguém evitaria automaticamente este pensamento: "Se esta é a doutrina da lei e dos profetas, como é possível que os judeus a rejeitem tão obstinadamente?" Existe também o fato notório de que os judeus sentiam profundo ódio por tudo quanto Paulo ensinava a respeito da lei de Moisés e da graça de Cristo, para que viessem oferecer seu apoio à fé dos gentios, em concordância com Paulo. Era indispensável, pois, que este escândalo fosse removido, a fim de que o curso do evangelho não sofresse qualquer sorte de interrupção.
ROMANOS 9 VS 1
Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo):
1. Digo a verdade em Cristo. Uma vez suposto pela maioria que Paulo se declarara inimigo de sua própria nação, de maneira que
de alguma forma se fizera suspeito - até mesmo para os próprios domésticos da fé - de ensiná-los a apostatarem de Moisés, então ele prepara a mente de seus leitores, à guisa de preâmbulo, antes de entrar na discussão de seu tema proposto. Neste preâmbulo, ele se desvencilha da falsa suspeita de ser hostil para com os judeus. Visto que o tema carecia do apoio de um juramento, e visto que ele percebia que sua afirmação, em contrapartida, dificilmente seria crível em razão da opinião negativa que já haviam concebido sobre ele, então jura estar falando a verdade. Esse, e exemplos afins (como já lembrei a meus leitores no primeiro capítulo), devem ensinar-nos que os juramentos são lícitos, ou, seja: aqueles que tornam uma verdade aceita, cujo conhecimento se faz proveitoso e que de outra forma não seria crida. A expressão em Cristo significa segundo Cristo.
2 Ao acrescentar: não minto, ele afirma que está falando sem falsidade nem dissimulação. Testemunhando comigo minha própria consciência. Com estas palavras, ele cita sua própria consciência diante do tribunal divino, visto que invoca o Espirito Santo como testemunha de sua declaração. Ele insere o nome do Espírito com o propósito de testificar mais plenamente de que era isento e puro de qualquer sentimento pervertido de má intenção, e que se pusera em defesa da causa de Cristo sob a direção e orientação do Espírito de Deus. Uma vez estando cegos pelos afetos da carne, os homens com
freqüência obscurecem a luz da verdade, consciente e voluntaria. mente, ainda que não seja com a intenção direta de enganar. Jurar pelo nome de Deus, no estrito sentido do termo, significa invocá•lo como testemunha para a confirmação daquilo que desperta dúvida, e ao mesmo tempo para sujeitarmo-nos a seu veredicto, caso o que dizemos seja falso.
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