Em Isaque será chamada a tua descendência. o apostolo ressalta este fato com o propósito
de mostrar que a eleição secreta de Deus prevalece sobre a vocação externa. De
forma alguma é ela contraria a essa vocação, senão que, antes, a confirma e a
completa. Portanto, a fim de provar ambas as proposições, ele pressupõe, em
primeiro lugar, que a eleição divina não se confina na descendência (carnal) de
Abraão, nem se compreende nas condições do pacto. Para confirmar isso, ele então
emprega uma ilustração muito oportuna. Se porventura houver algum legitimo descendente de Abraão que
não apostatou do pacto,então deve ser ele o primeiro a aprimorar-se do
privilegio. Mas quando descobrimos que um dos primeiros filhos de Abraão se separou
da linha de descendentes, mesmo quando Abraão ainda vivia e a promessa era
nova, o que dizer, pois, daqueles seus descendentes mais distantes? Esta profecia
é extraída de Genesis 17.20, onde o senhor diz, em resposta a Abraão, que
ouvira a sua oração em favor de Ismael, porém não haveria de ser em outro que
a bênção prometida repousaria. Segue-se que algumas pessoas são eleitas dentre
o povo escolhido por meio de um privilegio especial, e que nestas a adoção comum
se converte em adoção eficaz válida.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Comentário de João calvino Romanos 9 versículo 8
Isto é, os filhos de Deus não são propriamente
os da carne.
Ele agora
deduz da profecia uma afirmação que inclui a totalidade daquilo que propusera
provar. Se a progênie [de Abraão] é designada em Isaque, e não em Ismael, e Isaque
não é menos filho de Abraão do que Ismael, é preciso entender, pois, que nem
todos os filhos naturais seriam considerados como sua descendência, senão que a
promessa se cumpre de uma forma especial somente em alguns, e que não pertence igual e comumente a todos. Aos que não
passam de descendentes naturais, Paulo os chama de filhos da carne ,
justamente como os que são peculiarmente selados pelo senhor são chamados de filhos da promessa
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Comentário de João Calvino Romanos 9 versículo 6
Mas não significa que a palavra de Deus haja falhado.*
Paulo fora
trazido a um estado de profunda comoção pela intensificação de
sua oração. Ansioso, pois, de voltar a sua tarefa de instrução, ele adiciona
o que se pode considerar uma afirmação qualificativa, como que
impedindo-se de atingir excessiva angústia. Seu ato de deplorar
a
destruição de seu povo pareceu produzir a absurda posição de que o
pacto que Deus fizera com Abraão havia fracasso (porque a graça de
Deus não podia deixar os israelitas sem abolir o pacto). Então aproveita
a oportunidade para antecipar este absurdo, e mostra que
a
graça de Deus estivera em constante atividade entre o povo judeu, de
tal modo que a verdade do pacto permanecia firme, apesar da profunda cegueira deles.
Alguns
leem: "Mas não é possível...", como se o grego fosse οιοντε Porém,
visto que esta redação não se encontra em qualquer manuscrito, prefiro
a redação comum: "Não que haja falhado", no seguinte sentido: "Ao
deplorar a destruição de minha nação, não significa que creio que a promessa de Deus,
outrora dirigida a Abraão, esteja agora sem efeito."
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 5
5. Deles são os patriarcas. É igualmente de alguma importância descender-se de
santos e de pessoas amadas de Deus, visto que este prometera aos pais
piedosos usar de misericórdia para com seus filhos, ainda até mil gerações, particularmente
nas palavras dirigidas a Abraão, Isaque e Jacó [Gn 17.4] e a outros. Não faz diferença alguma se o
afastamento do temor e santidade de vida torna sem efeito ou sem
proveito o pacto, inerentemente, pois vemos a mesma coisa no culto e na
glorificação de Deus, como é demonstrado em passagens dos profetas, especialmente Isaías
1.11; 60.1, bem como Jeremias 7.4. Contudo, visto que Deus enaltece essas coisas com algum grau de honra,
quando são unidas para o cultivo da piedade, Paulo,
apropriadamente, as considera como que figurando entre os privilégios dos
judeus. Eles são chamados herdeiros das
promessas em razão de descenderem dos patriarcas [At 3.25].
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 4
4. [Que] são israelitas. Ele agora explica por que a
destruição de seu povo lhe causara tanto infortúnio que se sentia até mesmo
disposto a redimi-lo com sua própria morte. Eles eram israelitas. O pronome
relativo [que, subentendido) substitui um advérbio causal. Esta é a mesma
angústia que atormentava Moisés quando desejou ser eliminado do livro da vida,
contanto que a raça eleita e santa de Abraão não se reduzisse a nada [Êx
32.321. Além do afeto humano, o apóstolo assina-la outras razões de maior
importância que o obrigavam a amar os judeus. O Senhor lhes dera o elevado
privilégio de serem separados da ordem comum do gênero humano. Estes sublimes
louvores emanados de seus lábios, dirigidos à dignidade deles, são provas de
seu amor. Geralmente, só dirigimos expressões amorosas a quem realmente amamos.
Ainda que os judeus, apesar de sua ingratidão, fossem célebres por esses dons
divinos, mesmo não os merecendo, Paulo não cessa dedicar-lhes o devido
respeito. Daqui aprendemos dele que os ímpios não podem corromper os sublimes
dons divinos, de tal maneira que deixem de ser sempre merecidamente dignos dos
mais elevados encômios e de serem tidos na mais elevada estima, mesmo quando os
que os usam deles abusem, sem nada derivar dos mesmos senão ainda maior
infâmia. Assim como não devemos menosprezar os dons divinos nos ímpios, com
base no ódio deles para conosco, assim, ao contrário, devemos usar de prudência
a fim de que nossa bondosa estima e consideração por eles não lhes inflame o
orgulho, e muito menos adquiram nossos louvores a aparência de bajulação.
Imitemos a Paulo, que confirmou os privilégios dos judeus de uma forma tal que
a seguir declara que sem Cristo não existe nada que mereça algum valor. Ao
incluir-se no rol dos israelitas, nos louvores de seus privilégios, não o faz
sem qualquer propósito, pois Jacó orou para que fossem chamados por seu de nome
{Gn 48.16], e exigiu isso como sendo a mais sublime das bênçãos.
Pertence-lhes a adoção. A
intenção de Paulo, em todo seu discurso, consiste em que, não obstante haver os
judeus se separado dc Deus de forma blasfema, por sua apostasia, contudo a luz
da graça divina não se extinguira definitiva e completamente deles, como disse
em Romanos 3.3. Embora fossem incrédulos e houvessem quebrado o pacto divino,
contudo sua perfídia não anulara a fidelidade divina, não só porque Deus
houvera preservado para si, em sua progênie, um remanescente dentre toda a
multidão, mas também porque o titulo igreja ainda continuava em seu seio por
direito de herança.
Os
judeus haviam, então, despojado a si mesmos de todos os privilégios, de modo
que desvaneceu-se-lhes toda e qualquer vantagem o título filhos de Abraão. Não obstante, visto que corria-se o risco de os gentios
fazerem pouco da majestade do evangelho através da fé judaica, Paulo não leva
em conta o que de fato mereciam, mas encobre sua conduta vil e desonrosa ao
lançar sobre eles muitos véus, assim os gentios foram plenamente persuadidos de
que o evangelho originara-se-lhes de uma fonte celestial, do santuário de Deus
e de uma nação eleita. Pois o Senhor passou por todas as demais nações e
selecionou os judeus como um povo que lhe fosse particular, e adotou-os como
seus filhos, segundo ele mesmo testifica pela boca de Moisés e dos profetas. E
não contente em simplesmente chamá-los de filhos, às vezes os chama de meu
primogênito, e às vezes de meu amado. Assim diz o Senhor em Êxodo 4.22-23:
"Israel é meu filho, meu primogênito." "Porque sou pai para
Israel, e Efraim é meu primogênito" [Jr 31.91. E outra vez: "Não é
Efraim meu precioso filho? filho de minhas delícias? Pois tantas vezes quantas
falo contra ele, tantas vezes me lembro dele com compaixão" [Jr 31.201.
Com
tais expressões, sua intenção era não só exibir sua indulgência para com
Israel, mas, acima de tudo, exibir o poder da adoção, na qual a promessa de
herança celestial se acha contida.
Glória significa a excelência com que
o Senhor exaltou este povo acima de todas as demais nações, tanto pelas muitas
e diferentes formas como pela habitação em seu seio. Além dos muitos sinais de
sua presença, ele anteriormente exibiu uma singular prova dessa glória na arca,
da qual ele tanto respondeu como ouviu a seu povo, a fim de demonstrar seu
poder através de seu socorro. Foi por essa razão que recebeu ela o nome "a
glória de Deus" [ISm 4.22]
Visto que Paulo fez aqui distinção entre pactos e promessas, é mister que notemos a existência da seguinte diferença:
um pacto é aquilo que é exprimido com palavras expressas e solenes, e contém
uma obrigação mútua. Por exemplo, o pacto feito com Abraão. As promessas,
porém, são encontradas em diversos lugares na Escritura. Pois assim que Deus
fazia um pacto com seu antigo povo, não mais cessava de oferecer-lhe sua graça,
de tempo em tempo, por meio de promessas renovadas. Segue-se que as promessas
se acham relacionadas com o pacto, como sua única fonte, da mesma maneira que o
socorro especial, por meio do qual Deus declara aos crentes seu amor, emana da mesma
e única fonte da eleição. E visto que a lei era simplesmente a renovação
daquele pacto, para assegurar que ele seria lembrado mais plenamente, tudo
indica que legislação aqui deve restringir-se particularmente às coisas que a
lei decretara. Para os judeus, ter Deus como o Legislador era uma honra mui
singular. Se outras [nações] se gloriavam de seus Sólons ou de seus
Licurgueses, quanto mais razão há para se gloriar na lei! Lemos disso em
Deuteronômio 4.32.
Pelo termo cultos, Paulo tinha em mente aquela parte da lei na qual a
forma legitima de se cultuar a Deus é prescrita, tal como os ritos e as
cerimônias. Estes teriam que ser considerados legítimos por conta da ordenação
divina, sem a qual toda e qualquer invenção humana outra coisa não seria senão
profanação da religião
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 3
3 Porque eu mesmo desejaria ser anátema. O apóstolo não
poderia ter expressado seu amor com mais intensa veemência do. que o faz à luz
da presente afirmação. Este é o amor perfeito, o qual não foge nem mesmo de sua
própria morte em favor da salvação de um amigo. Mas a palavra que ele adiciona
— anathema - revela que sua referência não se limita só à morte temporal, mas
também abrange a morte eterna.
Ele explica seu
conteúdo, ao dizer: separado de Cristo
- pois anathema tem o sentido de separação. E separação de Cristo não significa
precisamente ser excluído de toda e qualquer esperança de salvação? Assim,
pois, tal atitude era uma prova do mais ardente amor, a saber: que ele nem
mesmo hesitou em evocar sobre si a condenação que via pendente sobre os judeus,
visando a que viesse de alguma forma, livrá-los. Não há contradição no fato de
que ele sabia que sua salvação se achava radicada na eleição divina, a qual não
podia de forma alguma ser desfeita. As emoções mais profundas irrompem
impetuosamente sem levar em conta, ou sem considerar nada, senão o objeto sobre
o qual se fixaram. Paulo, pois, não adicionou a eleição divina à sua oração; ao
contrário, deixou-a fora de suas cogitações, volvendo sua atenção unicamente
para a salvação dos judeus. Muitos de fato têm dúvida se este era um desejo
lícito; mas tal dúvida pode ser assim removida: "A fronteira estabelecida
é o amor que vai até onde a consciência permite."Se, pois, nosso amor está
em Deus, e não fora de Deus, então ele nunca será demais. Tal era o amor de Paulo,
porquanto via sua própria raça revestida com tantas bênçãos divinas, e ele
mesmo havia recebido os dons divinos por intermédio deles, e a eles mesmos em
razão dos dons divinos. Daí a razão de seu profundo sofrimento, ao ver que
estes dons pereceriam.
E assim, como que fora de si e com o espírito em confusão,
ele se prorrompe em ardente desejo .
E por isso rejeito a opinião daqueles que acreditam que o
apóstolo pronunciou estas palavras unicamente do prisma divino, e não do prisma
humano. Tampouco concordo com outros que dizem que ele levou em conta só o amor
aos homens, sem qualquer consideração para com a pessoa de Deus. Quanto a mim,
faço uma conexão do amor em relação aos homens com o zelo em relação à glória
de Deus. Não obstante, ainda não expliquei o ponto principal do apóstolo, ou,
seja: que os judeus são aqui considerados como que adornados com suas
características distintivas, as quais os distinguiam do resto da raça humana.
Deus, mediante seu pacto, os exaltara tão sublimemente que, se porventura
fracassassem, então a fidelidade e a verdade de Deus mesmo também fracassariam
no mundo. O pacto foi invalidado, o qual, por assim dizer, deveria manter-se
firme enquanto o sol e a lua brilhassem no céu [SI 72.7]. Assim, a abolição do
pacto seria tão estranha quanto o mundo inteiro se voltando contra si mesmo
numa espantosa e angustiosa sublevação. Paulo, pois, não faz aqui uma mera
comparação entre os homens, porque, embora fosse melhor que um só membro
perecesse do que todo o corpo, ele demonstra uma elevada consideração pelos
judeus, visto que os reveste com o caráter e qualidade de um povo eleito. Isso
surgirá com maior evidência do próprio contexto, como logo veremos no devido
lugar. Embora as palavras, meus compatriotas, segundo a carne, não signifiquem
nada novo, contudo contribuem grandemente para ampliar o significado da
passagem. Em primeiro lugar, para prevenir que alguém concluísse que,
premeditada, ou instintivamente, ele buscava oportunidade para provocar
controvérsia com os judeus, então notifica que não se despira do sentimento de
humanidade para que não se sentisse afetado pela terrificante destruição de sua
própria carne. Em segundo lugar, visto ser necessário que o evangelho, do qual
era arauto, surgisse de Sião, não é sem razão que insista tanto em seus
encômios dirigidos a sua raça sem qualquer propósito em vista. A expressão
qualificativa, segundo a carne, não é, em minha opinião, adicionada com o
propósito de humilhar os judeus, mas para, ao contrário, gerar neles confiança
na pessoa do apóstolo. Ainda que os judeus houvessem deserdado a Paulo, ele não
oculta o fato de que sua origem está radicada nesta nação, cuja eleição
perpetuou vigorosamente na raiz, mesmo quando os ramos haviam murchado. A
interpretação de Budaeus acerca do termo anathema contradiz Crisóstomo, que
confundiu iivétegia com dváfiripa.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 2
Romanos 9 versículo 2
2 Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração.
Que tenho grande tristeza. É bastante habilidosa a interrupção que o apóstolo faz de seu discurso antes de declarar o tema. Não era ainda oportuno mencionar abertamente a destruição da nação judaica. Pode-se igualmente adicionar que, ao proceder assim, ele está demonstrando um profundo grau de tristeza, visto que expressões elípticas geralmente indicam profunda comoção. Mas, oportunamente declarará a causa de sua tristeza, assim que tiver confirmado mais satisfatoriamente sua sinceridade.
A agonia que o apóstolo sentia tão profundamente por causa da destruição dos judeus, a qual, sabia ele, procedia da vontade e providência de Deus, nos ensina que a obediência que prestamos à providência divina não nos impede de sentirmos tristezas pela perdição de indivíduos dissolutos, ainda que saibamos que são condenados à ruína [eterna] pelo justo juízo de Deus. A mesma mente é capaz de experimentar estas duas emoções, ou, seja: ao olhar para Deus, se compraz com a ruína daqueles a quem ele determinou destruir; porém, ao volver seus pensamentos para os homens, condói-se deles, ao mirar sua miséria. Portanto, enganam-se completamente os que exigem dos santos uma indiferença estoica ante o sofrimento, e mórbida insensibilidade ante a dor, para não dizer que estão a resistir ao decreto divino.
A agonia que o apóstolo sentia tão profundamente por causa da destruição dos judeus, a qual, sabia ele, procedia da vontade e providência de Deus, nos ensina que a obediência que prestamos à providência divina não nos impede de sentirmos tristezas pela perdição de indivíduos dissolutos, ainda que saibamos que são condenados à ruína [eterna] pelo justo juízo de Deus. A mesma mente é capaz de experimentar estas duas emoções, ou, seja: ao olhar para Deus, se compraz com a ruína daqueles a quem ele determinou destruir; porém, ao volver seus pensamentos para os homens, condói-se deles, ao mirar sua miséria. Portanto, enganam-se completamente os que exigem dos santos uma indiferença estoica ante o sofrimento, e mórbida insensibilidade ante a dor, para não dizer que estão a resistir ao decreto divino.
COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 VS 1
Romanos 9 vs 1
Neste capítulo, o apóstolo começa a evitar as ofensas que pode-riam desviar de Cristo a mente humana. Porque os judeus, para quem [Cristo] fora designado através do pacto da lei, não só o rejeitavam ou menosprezavam, senão que a maioria o detestava. Uma de duas conclusões pode-se deduzir deste fato: ou que não existe verdade alguma na promessa divina, ou que o Jesus, então proclamado por Paulo, de forma alguma era o Cristo do Senhor, que fora particular-mente prometido aos judeus. Em suas afirmações subsequentes, Paulo oferece uma excelente solução para ambas essas dificuldades.
Ele trata este tema, não obstante, com uma habilidade tal que desfaz aquela aspereza que poderia transparecer aos judeus, evitando que viessem a sentir algum rancor. Ele, contudo, não lhes oferece nada que significasse prejuízo para o evangelho, senão que lhes confirma seus privilégios de uma forma tal que não constituísse, também, qualquer prejuízo para a pessoa de Cristo. Mas ele passa à discussão do presente tema de uma forma tão abrupta que parece não haver conexão alguma com seu discurso anterior,' e no entanto começa sua nova exposição como se não fosse qualquer novidade. Eis a razão para tal procedimento: havia ele completado a discussão da doutrina que estivera defendendo, e quando volve sua atenção para os judeus, sente-se atônito com a incredulidade deles, como se para eles isso fosse algo inusitado; e então, de súbito, se deixa impelir por veemente protesto, como se estivesse tratando do mesmo tema que já havia discutido. Ninguém evitaria automaticamente este pensamento: "Se esta é a doutrina da lei e dos profetas, como é possível que os judeus a rejeitem tão obstinadamente?" Existe também o fato notório de que os judeus sentiam profundo ódio por tudo quanto Paulo ensinava a respeito da lei de Moisés e da graça de Cristo, para que viessem oferecer seu apoio à fé dos gentios, em concordância com Paulo. Era indispensável, pois, que este escândalo fosse removido, a fim de que o curso do evangelho não sofresse qualquer sorte de interrupção.
ROMANOS 9 VS 1
Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo):
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