5. Deles são os patriarcas. É igualmente de alguma importância descender-se de
santos e de pessoas amadas de Deus, visto que este prometera aos pais
piedosos usar de misericórdia para com seus filhos, ainda até mil gerações, particularmente
nas palavras dirigidas a Abraão, Isaque e Jacó [Gn 17.4] e a outros. Não faz diferença alguma se o
afastamento do temor e santidade de vida torna sem efeito ou sem
proveito o pacto, inerentemente, pois vemos a mesma coisa no culto e na
glorificação de Deus, como é demonstrado em passagens dos profetas, especialmente Isaías
1.11; 60.1, bem como Jeremias 7.4. Contudo, visto que Deus enaltece essas coisas com algum grau de honra,
quando são unidas para o cultivo da piedade, Paulo,
apropriadamente, as considera como que figurando entre os privilégios dos
judeus. Eles são chamados herdeiros das
promessas em razão de descenderem dos patriarcas [At 3.25].
Também deles descende o Cristo. Não há motivo para
relacionar esta descendência com os patriarcas, como se Paulo tencionasse apenas dizer que
Cristo descendeu deles. Seu objetivo era concluir seu relato da
preeminência dos judeus, declarando, em seu encômio, que Cristo procedia
deles. Achar-se unido ao Redentor do mundo, pelos laços sanguíneos, é uma honra sem
fronteira! Se ele honrou toda a raça humana, relacionando-se conosco pela participação de nossa natureza,
muito mais honra desfrutam os judeus, com quem quis ter um estreito
laço de afinidade. Devemos, contudo, ter sempre em mente que, se esta
relação estabelecida pela graça for separada da piedade, longe de
ser ela uma bênção, ao contrário nos conduz a uma mais grave e merecida condenação.
Temos aqui uma
passagem mui notável. Paulo distingue as duas naturezas em Cristo,
mas de forma que as mantém, ao mesmo tempo, unidas em uma mesma pessoa. Ao dizer que Cristo
descendeu dos judeus, o apóstolo declara sua autêntica humanidade. Ao adicionar as palavras, segundo a carne, denota que Cristo possuía algo superior à carne. Tudo indica que o apóstolo
estivesse aqui fazendo uma nítida distinção entre _humanidade e
divindade;_ porém, finalmente ele une ambas quando diz que Cristo mesmo, que nasceu dos judeus segundo a carne, é Deus bendito para sempre.'
É mister observar mais que esta atribuição de louvor pertence unicamente
ao único e eterno Deus. Em outra passagem [ 1Tm 1.17], Paulo
afirma que há um só Deus, a quem se devem honra e glória. Separar esta
sentença do resto do contexto, com o propósito de privar a Cristo
deste claro testemunho de sua divindade, é uma audaciosa tentativa de criar-se
trevas onde só existe luz meridiana. As palavras são plenamente
claras: "Cristo, que procede dos judeus segundo a carne, é
Deus bendito para sempre." Não tenho dúvida alguma de que
Paulo, que experimentou dificuldade no tratamento da _pedra de tropeço_ que existia contra ele, deliberadamente fez
emergir seus pensamentos e os alçou rumo à glória de Cristo,
não tanto por ele mesmo, mas com o propósito de reanimar a
outrem por meio de seu exemplo, para que pudessem também fazer o mesmo.
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