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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Comentários de 1 Timóteo 3 versículo 2

 John Gill (1697-1771)


O marido de uma esposa ;

o que não deve ser entendido no sentido místico e alegórico de ser pastor de uma só igreja, visto que o apóstolo depois fala de sua casa e filhos, que devem ser governados e mantidos em boa ordem por ele, em distinção da igreja de Deus; mas no sentido literal de seu estado conjugal; embora esta regra não torne necessário que ele tenha uma esposa; ou que ele não deveria se casar, ou não ter se casado com uma segunda esposa, após a morte da primeira; somente se ele se casar ou for casado, ele deve ter apenas uma esposa de cada vez; de modo que esta regra exclui todas essas pessoas de serem presbíteros, ou pastores, ou supervisores de igrejas que eram "polígamos"; que tiveram mais esposas de uma vez, ou se divorciaram de suas esposas, e não por adultério, e se casaram com outras pessoas. Agora, a poligamia e os divórcios foram muito obtidos entre os judeus; nem poderiam os judeus crentes ser facilmente e imediatamente tirados deles. E embora eles não fossem legais nem fossem permitidos em qualquer um; no entanto, eram especialmente inadequados e escandalosos para os oficiais das igrejas. Assim, o sumo sacerdote entre os judeus, mesmo quando a poligamia estava em uso, não podia se casar ou ter duas esposas ao mesmo tempo; se o fizesse, ele não poderia ministrar em seu escritório até que se divorciou de um deles F21 . Pois está escrito, ( Levítico 21:13 ), "ele tomará uma esposa", ( Mytv alw txa ), "uma, e não duas" F23 . E o mesmo que é dito do sumo sacerdote, é dito de todos os outros sacerdotes; veja ( Ezequiel 44:22 ), da mesma forma os sacerdotes egípcios não podem se casar com mais esposas do que uma, embora outros possam ter quantas quiserem F24 : e assim os Flamines entre os Romanos F25 . Um presbítero ou pastor também deve ser aquele que é vigilante ;

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 9



A morte não mais tem domínio sobre ele.

 Paulo parece dar a entender que a morte uma vez exerceu domínio sobre Cristo. E de-veras, quando entregou-se à morte em nosso favor, em certa medida ele entregou-se e sujeitou-se a seu poder, na condição, contudo, de que era-lhe impossível ser detido ou vencido pelas dores mortais ao ponto de sucumbir ou ser totalmente absorvido por ela [At 2.24]. Portanto, ao submeter-se a seu domínio por um breve momento, ele a destruiu para sempre. Entretanto, traduzindo em termos mais simples, o domínio da morte é uma referência à condição voluntária da morte de Cristo, o qual expirou com a ressurreição dele [Cristo]. O significado aponta para o fato de que Cristo, que agora comunica vida aos crentes por meio de seu Espírito, ou inspira sua própria vida neles por seu secreto poder que promana do céu, ficou livre do domínio da morte quando ressuscitou dentre os mortos, a fim de libertar todo seu povo desse mesmo domínio.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 8


Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.

 Seu único propósito em reiterar esta afirmação consiste em adicionar a declaração que vem em seguida, ou, seja: que havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre. Com isso ele deseja ensinar-nos o dever imposto aos cristãos de perseguirem esta nova forma de vida ao longo de toda sua vida. Se têm de levar em si a imagem de Cristo, seja por meio da mortificação da carne, seja por meio do viver no Espírito, esta mortificação da carne deve ser concretizada de uma vez por todas, enquanto a vida no Espírito jamais deve cessar. Isso não acontece, como já declaramos, porque nossa carne é mortificada em nós instantaneamente, mas porque não podemos retroceder de conduzi-la à destruição até a morte. Se porventura voltarmos a nossas próprias imundícies, então negamos a Cristo, pois a condição para termos comunhão com ele é tão somente pelo caminho da novidade de vida, assim como ele mesmo vive uma vida incorruptível.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 7


Porquanto, quem morreu, justificado está do pecado.

 Este é um argumento derivado da natureza inerente ou efeito da morte. Se a morte destrói todas as ações da vida, então nós, que já morremos para o pecado, devemos cessar com aquelas ações que o pecado exerce durante a trajetória de sua existência [terrena]. O termo justificados aqui, significa libertados ou recuperados da escravidão. Assim como o prisioneiro que é absolvido da sentença do juiz, se vê livre do vínculo de sua acusação, também a morte, livrando-nos desta presente vida, nos faz livres de todas nossas responsabilidades.
                Além do mais, embora este seja um exemplo que não pode ser encontrado em parte alguma entre os homens, contudo não há razão para considerar esta afirmação como uma especulação fútil, nem razão para desespero por não figurarmos no número daqueles que crucificaram completamente sua carne. Esta obra divina não se completou no momento em que teve início em nós, mas se desenvolve gradualmente, e diariamente avança um pouco mais até chegar a sua plena consolidação. Podemos sumariar este ensino de Paulo da seguinte forma. "Se porventura és cristão, então deves revelar em ti mesmo pelo menos um sinal de tua comunhão na morte de Cristo [communionis cum morte Christi]; e o fruto disto consiste em que tua carne será crucificada juntamente com todos os desejos dela. Não deves presumir, contudo, que esta comunhão não é real só porque ainda encontras em ti traços de carnalidade em plena atividade. Mas é forçoso que continuamente encontres também traços de crescimento em tua comunhão na morte de Cristo, até que alcances o alvo final." Já é suficiente que o crente sinta que sua carne está sendo continuamente mortificada, e ela não avança mais enquanto o Espírito Santo tem sob seu controle o miserável reinado exercido por ela [carne]. Há ainda outra comunhão [communicatio] na morte de Cristo, da qual o apóstolo fala com frequência, como em 2 Coríntios 4.10-18, a saber: o suportar a cruz, ação esta seguida de nossa participação [consortium] na vida eterna.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 6


Sabendo isto, que nosso velho homem foi crucificado com ele.
 O 'velho' homem é assim chamado à semelhança do 'Velho' Testamento que é também assim chamado em relação ao 'Novo' [Testamento]. Ele começa a ser 'velho' quando sua regeneração tem início, e sua velha natureza é gradualmente destruída. Paulo está referindo-se a toda nossa natureza, a qual trazemos do ventre materno, e a qual é tão incapaz de receber o reino de Deus, que precisa morrer na mesma proporção que somos renovados para a verdadeira vida. Este 'velho homem', diz ele, é pregado na cruz com Cristo, porque, por seu poder, ele jaz morto. Paulo faz referência à cruz a fim de mostrar mais distintamente que a única fonte de nossa mortificação é nossa participação na morte de Cristo. Não concordo com aqueles intérpretes que explicam que Paulo usou o termo crucificado, em vez de morto, porque nosso velho homem está ainda vivo, e em certa medida ainda cheio de vigor. A interpretação está plenamente certa, mas dificilmente é relevante para o nosso presente texto. O corpo do pecado, ao qual faz menção um pouco depois, não significa carne e ossos, e, sim, toda a massa de pecado, pois o homem, quando abandonado à sua própria natureza, não passa de uma massa de pecado.A expressão, e não sirvamos o pecado como escravos, realça o propósito de sua destruição. Segue-se que até onde somos filhos de Adão, e nada mais além de homens, somos tão completamente escravos do pecado que nada mais podemos fazer senão pecar. Mas quando somos enxertados em Cristo, somos libertados desta miserável compulsão, não porque cessamos definitivamente de pecar, mas para que finalmente sejamos vitoriosos no conflito.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 5


Porque, se fomos unidos com ele na semelhança de sua morte.


 O apóstolo confirma o argumento que previamente apresentara, fazendo uso de expressões mais claras. A comparação que introduz remove toda e qualquer ambiguidade, visto que nosso enxerto significa não só nossa conformidade com o exemplo de Cristo, mas também com a união secreta [arcanam coniunctionem],por meio da qual crescemos unidos a ele, de tal forma que nos revitaliza pela instrumentalidade de seu Espírito e transfere para nós seu poder. Portanto, assim como o elemento enxertante tem a mesma vida ou morte do ramo no qual é enxertado, também é razoável que sejamos plenamente participantes tanto da vida quanto da morte de Cristo. Se formos enxertados na semelhança [in similitudinem] da morte de Cristo, visto que sua morte é inseparável de sua ressurreição, então a nossa morte seguirá nossa ressurreição. No entanto, as palavras podem ser interpretadas de duas formas, a saber: ou que somos enxertados em Cristo na semelhança de sua morte, ou que somos simplesmente enxertados em sua semelhança. A primeira redação exigiria que o dativo grego, ὁμοιώματι, se refira ao modo de nosso enxerto. Não nego que isso tenha um sentido mais profundo, visto, porém, que o outro significado é mais apropriado à simplicidade da expressão, preferi usá-la aqui. Faz pouca diferença, entretanto, visto que ambas equivalem à mesma ideia. Crisóstomo sustenta que, pela expressão -em semelhança de homem" (Fp 2.71] ele quer dizer “sendo feito homem". Parece-me, contudo, que existe na expressão mais importância do que simplesmente isso. Além de referir-se à ressurreição. parece achar-se implícita a ideia de que não passaremos pela morte natural à semelhança de Cristo, mas que existe esta similitude entre nossa morte e a dele - assim como Cristo morreu na carne que recebera de nós, também morremos em nós mesmos, a fim de que possamos viver nele. Nossa morte, pois, não é a mesma [morte] de Cristo, se não que é semelhante à dele, pois devemos no. ter a analogia [analogia] entre a morte nesta presente vida e nossa renovação espiritual.


               Fomos unidos [insiticii facti]. Esta palavra (unidos ou enxertados) recebe grande ênfase e revela nitidamente que o apóstolo não nos está exortando, e, sim, ensinando acerca do benefício que derivamos de Cristo. Ele não está requerendo de nós algum dever que nossa prudência ou diligência pode realizar, mas está falando do enxerto que é efetuado pela mão divina. Não há razão para forçosamente aplicara metáfora ou comparação a cada detalhe, pois a disparidade entre o enxerto de árvores e o nosso enxerto espiritual prontamente se evidencia. No enxerto de árvores, a parte enxertada extrai sua nutrição das raízes, mas que retém sua propriedade natural no  fruto que serve de alimento. No enxerto espiritual, contudo, não só derivamos o vigor e a seiva da vida que fluem de Cristo, mas também transmitimos de nossa própria natureza para a sua. O apóstolo desejava simplesmente realçar a eficácia da morte de Cristo, a qual manifestou-se na destruição de nossa carne, e também a eficácia de sua ressurreição que nos renova interiormente segundo a natureza superior do Espírito.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 4

*Fomos, pois, sepultados com ele.

 Ele então começa a mostrar o que está compreendido em nosso batismo na morte de Cristo, embora não nos apresente ainda uma explicação satisfatória. O batismo significa que, ao sermos mortos para nós mesmos, nos tornamos novas criaturas. Paulo corretamente passa da comunhão na morte de Cristo para a participação de sua vida. Visto que estas duas se acham inseparavelmente entrelaçadas, nosso velho homem é destruído pela morte de Cristo, a fim de que sua ressurreição venha a restaurar nossa justiça e nos transformar em novas criaturas. E visto que Cristo nos foi dado para a vida, por que devemos morrer com ele, senão para que ressuscitemos para uma vida muito melhor? Cristo, pois, expõe à morte o que é mortal em nós, a fim de verdadeiramente restaurar-nos à vida.

           Notemos, além do mais, que o apóstolo aqui não nos exorta simplesmente a imitar a Cristo, como se nos quisesse dizer que a morte de Cristo é um exemplo apropriado para que todos os cristãos o sigam. Indubitavelmente, ele tem em mente algo muito mais elevado. Na verdade, ele está propondo uma doutrina que mais tarde usará como base hortativa. Sua doutrina, como podemos claramente ver, consiste em que a morte de Cristo é eficaz para destruir e subjugar a depravação de nossa carne; e sua ressurreição, para renovar em nós uma natureza muito superior. Também afirma que, por meio do batismo, somos admitidos à participação de sua graça. Tendo lançado esta proposição básica, Paulo pode mui apropriadamente exortar os cristãos a envidarem todo esforço para que vivam de uma forma que corresponda a seu chamamento. É irrelevante argumentar se este poder não se evidencia em todos os que são batizados, porquanto Paulo, visto estar falando a crentes, conecta a realidade e o efeito com o sinal externo [substantiara et effectum externo signo coniungit], segundo sua maneira usual de argumentar. Pois sabemos que pela fé é confirmado e ratificado neles tudo quanto o Senhor oferece por meio do símbolo visível. Em suma, ele nos ensina em que consiste a verdade do batismo quando corretamente recebido. Assim testifica que todos os gálatas, os quais haviam sido batizados em Cristo, haviam se revestido dele [Cl 3.27]. Devemos usar sempre estes termos quando a instituição do Senhor e a fé dos crentes correspondem, pois jamais possuímos símbolos nus e vazios [nuda et inania syrnbola], exceto quando nossa ingratidão e impiedade obstruem a operação da divina munificência .

*Pela glória do Pai.

 Ou, seja: pelo esplêndido poder por meio do qual ele declarou-se verdadeiramente glorioso e exibiu a magnificência de sua glória. Por isso, o poder de Deus, na Escritura, que se fez ativo na ressurreição de Cristo, é às vezes apresentado em termos de muita sublimidade, e com sobejas razões. É de grande importância que enalteçamos a Deus, fazendo menção explícita de seu incomparável poder, não apenas por nossa fé na ressurreição final, a qual excede a toda e qualquer percepção da carne, mas também pelos demais benefícios que recebemos da ressurreição de Cristo.

domingo, 6 de agosto de 2017

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 3

Ou porventura ignorais?

 Paulo prova sua tese anterior de que Cristo destrói o pecado em seu povo a partir do efeito do batismo, por meio do qual somos iniciados na fé nele [Cristo]. É além de qualquer dúvida que nos vestimos de Cristo, no batismo, e que somos batizados com base neste princípio, a saber: para que nos tornemos um só com ele. Paulo agora assume o segundo princípio, a saber: só crescemos verdadeiramente no corpo de Cristo [in Christi corpo vere coalescere] quando sua morte produz em nós seus frutos. Ele deveras nos ensina que esta comunhão em sua morte é o ponto central do batismo. Ele não pressupõe uma simples lavagem,  mas sobretudo a mortificação e o despimento do velho homem, os quais são ali estabelecidos. É evidente que a eficácia da morte de Cristo só se manifesta no momento em que somos recebidos em sua graça. A eficácia da comunhão na morte de Cristo é descrita imediatamente.

sábado, 5 de agosto de 2017

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 2


2. De modo nenhum [que Deus nos livre!].

Certos intérpretes defendem a tese de que o único desejo do apóstolo era reprovar com indignação uma atitude tão irracional e fútil. Contudo, outras passagens provam que frequentemente Paulo mostra ao longo de seu argumento quão corriqueira era tal atitude. Aqui também contesta, com muito tato e de forma breve, a calúnia contra sua doutrina da graça. Em primeiro lugar, contudo, ele rejeita tal calúnia com uma negativa saturada de indignação, com o fim de advertir seus leitores que não há maior contradição do que nutrirmos nossos vícios a pretexto da graça de Cristo, visto que ela é o único meio de restaurar nossa justiça.

Nós os que para ele morremos?

Agora ele extrai seu argumento da posição contrária. Porquanto, quem peca, vive para o pecado. No entanto, pela graça de Cristo estamos mortos para o pecado. Portanto, é falso sustentar que aquilo que abole o pecado lhe injeta maior força. A verdade, ao contrário disto, reside no fato de que os crentes nunca são reconciliados com Deus sem que recebam antes o dom da regeneração. Deveras, somos justificados com este mesmo propósito, a saber: que em seguida adoremos a Deus em pureza de vida. Cristo nos lava com seu sangue e faz Deus propício para conosco através de sua expiação, fazendo-nos participantes de seu Espírito, o qual nos renova para um viver santo. Portanto, seria a mais absurda inversão da obra divina se o pecado recebesse força por meio da graça que nos é oferecida em Cristo. A medicina não tem por alvo tornar a doença ainda mais grave, quando sua meta é destruí-la. É bom que tenhamos bem firmado em nossa mente o que já referi anteriormente, ou, seja: que Paulo não está aqui tratando do estado em que Deus nos encontra ao chamar-nos à comunhão de seu Filho, e, sim, o estado em que nos achávamos quando ele nos revelou sua misericórdia e graciosamente nos adotou. Ao fazer uso de um advérbio que denota futuro, Paulo mostra o gênero de transformação que deve seguir a justificação.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

João Calvino (1509-1564) Comentário Romanos capitulo 6 vs 1


Que diremos, pois?


 Ao longo deste capítulo, o apóstolo defende a tese de que aqueles que imaginam que Cristo nos comunica a justificação gratuita, sem comunicar igualmente a novidade de vida, dilaceram ignominiosamente a Cristo. Contudo, ele avança um pouco mais e propõe a seguinte objeção: se os homens continuam em pecado, tal coisa aparentemente põe diante de nós uma grande oportunidade para que a graça seja ostentada. Temos experiência de como a carne é inclinada a apresentar alguma justificativa para sua indiferença. Satanás também vive sempre pronto a engendrar todo gênero de calúnia com o fim de lançar ao descrédito a doutrina da graça. Não devemos deixar-nos dominar pelo espanto quando, ao ouvir acerca da justificação pela fé, a carne com frequência se choca contra diferentes obstáculos, visto que toda verdade proclamada referente a Cristo é completamente parodoxal pelo prisma do juízo humano. Entretanto, nosso dever é prosseguir em nossa rota. Cristo não deve ser suprimido só porque para muitos ele não passa de pedra de ofensa e rocha de escândalo. Ao mesmo tempo que ele prova ser destruição para os ímpios, em contrapartida ele será sempre ressurreição para os fiéis. Teremos sempre que encontrar respostas às questões transcendentais, a fim de que a doutrina cristã não seja envolvida em aparentes absurdos. O apóstolo sai no encalço da objeção que é mais comumente assacada contra a proclamação da graça divina. Ou, seja: se porventura for verdade que a graça de Deus nos assistirá muito mais liberal e abundantemente à medida que nos sentimos sobrecarregados com um fardo de pecados sempre mais pesado, então nada melhor que provocarmos a ira de Deus, submergindo-nos no abismo do pecado e perpetrando-o cada vez mais com novas ofensas, pois só assim experimentaremos a graça mais abundantemente, visto que ela se constitui no maior benefício que porventura venhamos a desejar. Veremos mais adiante como podemos refutar um conceito tão estapafúrdio e virulento.

domingo, 23 de abril de 2017

Comentários de calvino

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vou deixar o link dos comentários de calvino do ministério fiel para ler online.


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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Comentário de João Calvino .Romanos 9 versículo 7

  Em Isaque será chamada a tua descendência. o apostolo ressalta este fato com o propósito de mostrar que a eleição secreta de Deus prevalece sobre a vocação externa. De forma alguma é ela contraria a essa vocação, senão que, antes, a confirma e a completa. Portanto, a fim de provar ambas as proposições, ele pressupõe, em primeiro lugar, que a eleição divina não se confina na descendência (carnal) de Abraão, nem se compreende nas condições do pacto. Para confirmar isso, ele então emprega uma ilustração muito oportuna. Se porventura  houver algum legitimo descendente de Abraão que não apostatou do pacto,então deve ser ele o primeiro a aprimorar-se do privilegio. Mas quando descobrimos que um dos primeiros filhos de Abraão se separou da linha de descendentes, mesmo quando Abraão ainda vivia e a promessa era nova, o que dizer, pois, daqueles seus descendentes mais distantes? Esta profecia é extraída de Genesis 17.20, onde o senhor diz, em resposta a Abraão, que ouvira a sua oração em favor de Ismael, porém não haveria de ser em outro que a bênção prometida repousaria. Segue-se que algumas pessoas são eleitas dentre o povo escolhido por meio de um privilegio especial, e que nestas a adoção comum se converte em adoção eficaz válida.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Comentário de João calvino Romanos 9 versículo 8

Isto é, os filhos de Deus não são propriamente os da carne.

Ele agora deduz da profecia uma afirmação que inclui a totalidade daquilo que propusera provar. Se a progênie [de Abraão] é designada em Isaque, e não em Ismael, e Isaque não é menos filho de Abraão do que Ismael, é preciso entender, pois, que nem todos os filhos naturais seriam considerados como sua descendência, senão que a promessa se cumpre de uma forma especial somente em alguns, e que não pertence igual e comumente  a todos. Aos que não passam de descendentes naturais, Paulo os chama de filhos da carne , justamente como os que são peculiarmente selados pelo senhor são chamados de filhos da promessa


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Comentário de João Calvino Romanos 9 versículo 6

Mas não significa que a palavra de Deus haja falhado.* 

Paulo fora trazido a um estado de profunda comoção pela intensificação de sua oração. Ansioso, pois, de voltar a sua tarefa de instrução, ele adiciona o que se pode considerar uma afirmação qualificativa, como que impedindo-se de atingir excessiva angústia. Seu ato de deplorar
a destruição de seu povo pareceu produzir a absurda posição de que o pacto que Deus fizera com Abraão havia fracasso (porque a graça de Deus não podia deixar os israelitas sem abolir o pacto). Então aproveita a oportunidade para antecipar este absurdo, e mostra que
a graça de Deus estivera em constante atividade entre o povo judeu, de tal modo que a verdade do pacto permanecia firme, apesar da profunda cegueira deles.
          
              Alguns leem: "Mas não é possível...", como se o grego fosse οιοντε Porém, visto que esta redação não se encontra em qualquer manuscrito, prefiro a redação comum: "Não que haja falhado", no seguinte sentido: "Ao deplorar a destruição de minha nação, não significa que creio que a promessa de Deus, outrora dirigida a Abraão, esteja agora sem efeito."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 5

5. Deles são os patriarcas. É igualmente de alguma importância descender-se de santos e de pessoas amadas de Deus, visto que este prometera aos pais piedosos usar de misericórdia para com seus filhos, ainda até mil gerações, particularmente nas palavras dirigi­das a Abraão, Isaque e Jacó [Gn 17.4] e a outros. Não faz diferença alguma se o afastamento do temor e santidade de vida torna sem efeito ou sem proveito o pacto, inerentemente, pois vemos a mesma coisa no culto e na glorificação de Deus, como é demonstrado em passagens dos profetas, especialmente Isaías 1.11; 60.1, bem como Jeremias 7.4. Contudo, visto que Deus enaltece essas coisas com algum grau de honra, quando são unidas para o cultivo da piedade, Paulo, apropriadamente, as considera como que figurando entre os privilégios dos judeus. Eles são chamados herdeiros das promessas em razão de descenderem dos patriarcas [At 3.25].

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 4

4. [Que] são israelitas. Ele agora explica por que a destruição de seu povo lhe causara tanto infortúnio que se sentia até mesmo disposto a redimi-lo com sua própria morte. Eles eram israelitas. O pronome relativo [que, subentendido) substitui um advérbio causal. Esta é a mesma angústia que atormentava Moisés quando desejou ser eliminado do livro da vida, contanto que a raça eleita e santa de Abraão não se reduzisse a nada [Êx 32.321. Além do afeto humano, o apóstolo assina-la outras razões de maior importância que o obrigavam a amar os judeus. O Senhor lhes dera o elevado privilégio de serem separados da ordem comum do gênero humano. Estes sublimes louvores emanados de seus lábios, dirigidos à dignidade deles, são provas de seu amor. Geralmente, só dirigimos expressões amorosas a quem realmente amamos. Ainda que os judeus, apesar de sua ingratidão, fossem célebres por esses dons divinos, mesmo não os merecendo, Paulo não cessa dedicar-lhes o devido respeito. Daqui aprendemos dele que os ímpios não podem corromper os sublimes dons divinos, de tal maneira que deixem de ser sempre merecidamente dignos dos mais elevados encômios e de serem tidos na mais elevada estima, mesmo quando os que os usam deles abusem, sem nada derivar dos mesmos senão ainda maior infâmia. Assim como não devemos menosprezar os dons divinos nos ímpios, com base no ódio deles para conosco, assim, ao contrário, devemos usar de prudência a fim de que nossa bondosa estima e consideração por eles não lhes inflame o orgulho, e muito menos adquiram nossos louvores a aparência de bajulação. Imitemos a Paulo, que confirmou os privilégios dos judeus de uma forma tal que a seguir declara que sem Cristo não existe nada que mereça algum valor. Ao incluir-se no rol dos israelitas, nos louvores de seus privilégios, não o faz sem qualquer propósito, pois Jacó orou para que fossem chamados por seu de nome {Gn 48.16], e exigiu isso como sendo a mais sublime das bênçãos.
                 Pertence-lhes a adoção. A intenção de Paulo, em todo seu discurso, consiste em que, não obstante haver os judeus se separado dc Deus de forma blasfema, por sua apostasia, contudo a luz da graça divina não se extinguira definitiva e completamente deles, como disse em Romanos 3.3. Embora fossem incrédulos e houvessem quebrado o pacto divino, contudo sua perfídia não anulara a fidelidade divina, não só porque Deus houvera preservado para si, em sua progênie, um remanescente dentre toda a multidão, mas também porque o titulo igreja ainda continuava em seu seio por direito de herança.
                Os judeus haviam, então, despojado a si mesmos de todos os privilégios, de modo que desvaneceu-se-lhes toda e qualquer vantagem o título filhos de Abraão. Não obstante, visto que corria-se o risco de os gentios fazerem pouco da majestade do evangelho através da fé judaica, Paulo não leva em conta o que de fato mereciam, mas encobre sua conduta vil e desonrosa ao lançar sobre eles muitos véus, assim os gentios foram plenamente persuadidos de que o evangelho originara-se-lhes de uma fonte celestial, do santuário de Deus e de uma nação eleita. Pois o Senhor passou por todas as demais nações e selecionou os judeus como um povo que lhe fosse particular, e adotou-os como seus filhos, segundo ele mesmo testifica pela boca de Moisés e dos profetas. E não contente em simplesmente chamá-los de filhos, às vezes os chama de meu primogênito, e às vezes de meu amado. Assim diz o Senhor em Êxodo 4.22-23: "Israel é meu filho, meu primogênito." "Porque sou pai para Israel, e Efraim é meu primogênito" [Jr 31.91. E outra vez: "Não é Efraim meu precioso filho? filho de minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes me lembro dele com compaixão" [Jr 31.201.
                 Com tais expressões, sua intenção era não só exibir sua indulgência para com Israel, mas, acima de tudo, exibir o poder da adoção, na qual a promessa de herança celestial se acha contida.
     Glória significa a excelência com que o Senhor exaltou este povo acima de todas as demais nações, tanto pelas muitas e diferentes formas como pela habitação em seu seio. Além dos muitos sinais de sua presença, ele anteriormente exibiu uma singular prova dessa glória na arca, da qual ele tanto respondeu como ouviu a seu povo, a fim de demonstrar seu poder através de seu socorro. Foi por essa razão que recebeu ela o nome "a glória de Deus" [ISm 4.22]
          Visto que Paulo fez aqui distinção entre pactos e promessas, é mister que notemos a existência da seguinte diferença: um pacto é aquilo que é exprimido com palavras expressas e solenes, e contém uma obrigação mútua. Por exemplo, o pacto feito com Abraão. As promessas, porém, são encontradas em diversos lugares na Escritura. Pois assim que Deus fazia um pacto com seu antigo povo, não mais cessava de oferecer-lhe sua graça, de tempo em tempo, por meio de promessas renovadas. Segue-se que as promessas se acham relacionadas com o pacto, como sua única fonte, da mesma maneira que o socorro especial, por meio do qual Deus declara aos crentes seu amor, emana da mesma e única fonte da eleição. E visto que a lei era simplesmente a renovação daquele pacto, para assegurar que ele seria lembrado mais plenamente, tudo indica que legislação aqui deve restringir-se particularmente às coisas que a lei decretara. Para os judeus, ter Deus como o Legislador era uma honra mui singular. Se outras [nações] se gloriavam de seus Sólons ou de seus Licurgueses, quanto mais razão há para se gloriar na lei! Lemos disso em Deuteronômio 4.32.
              Pelo termo cultos, Paulo tinha em mente aquela parte da lei na qual a forma legitima de se cultuar a Deus é prescrita, tal como os ritos e as cerimônias. Estes teriam que ser considerados legítimos por conta da ordenação divina, sem a qual toda e qualquer invenção humana outra coisa não seria senão profanação da religião

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 3

3 Porque eu mesmo desejaria ser anátema. O apóstolo não poderia ter expressado seu amor com mais intensa veemência do. que o faz à luz da presente afirmação. Este é o amor perfeito, o qual não foge nem mesmo de sua própria morte em favor da salvação de um amigo. Mas a palavra que ele adiciona — anathema - revela que sua referência não se limita só à morte temporal, mas também abrange a morte eterna.
 Ele explica seu conteúdo, ao dizer: separado de Cristo - pois anathema tem o sentido de separação. E separação de Cristo não significa precisamente ser excluído de toda e qualquer esperança de salvação? Assim, pois, tal atitude era uma prova do mais ardente amor, a saber: que ele nem mesmo hesitou em evocar sobre si a condenação que via pendente sobre os judeus, visando a que viesse de alguma forma, livrá-los. Não há contradição no fato de que ele sabia que sua salvação se achava radicada na eleição divina, a qual não podia de forma alguma ser desfeita. As emoções mais profundas irrompem impetuosamente sem levar em conta, ou sem considerar nada, senão o objeto sobre o qual se fixaram. Paulo, pois, não adicionou a eleição divina à sua oração; ao contrário, deixou-a fora de suas cogitações, volvendo sua atenção unicamente para a salvação dos judeus. Muitos de fato têm dúvida se este era um desejo lícito; mas tal dúvida pode ser assim removida: "A fronteira estabelecida é o amor que vai até onde a consciência permite."Se, pois, nosso amor está em Deus, e não fora de Deus, então ele nunca será demais. Tal era o amor de Paulo, porquanto via sua própria raça revestida com tantas bênçãos divinas, e ele mesmo havia recebido os dons divinos por intermédio deles, e a eles mesmos em razão dos dons divinos. Daí a razão de seu profundo sofrimento, ao ver que estes dons pereceriam.
E assim, como que fora de si e com o espírito em confusão, ele se prorrompe em ardente desejo .

E por isso rejeito a opinião daqueles que acreditam que o apóstolo pronunciou estas palavras unicamente do prisma divino, e não do prisma humano. Tampouco concordo com outros que dizem que ele levou em conta só o amor aos homens, sem qualquer consideração para com a pessoa de Deus. Quanto a mim, faço uma conexão do amor em relação aos homens com o zelo em relação à glória de Deus. Não obstante, ainda não expliquei o ponto principal do apóstolo, ou, seja: que os judeus são aqui considerados como que adornados com suas características distintivas, as quais os distinguiam do resto da raça humana. Deus, mediante seu pacto, os exaltara tão sublimemente que, se porventura fracassassem, então a fidelidade e a verdade de Deus mesmo também fracassariam no mundo. O pacto foi invalidado, o qual, por assim dizer, deveria manter-se firme enquanto o sol e a lua brilhassem no céu [SI 72.7]. Assim, a abolição do pacto seria tão estranha quanto o mundo inteiro se voltando contra si mesmo numa espantosa e angustiosa sublevação. Paulo, pois, não faz aqui uma mera comparação entre os homens, porque, embora fosse melhor que um só membro perecesse do que todo o corpo, ele demonstra uma elevada consideração pelos judeus, visto que os reveste com o caráter e qualidade de um povo eleito. Isso surgirá com maior evidência do próprio contexto, como logo veremos no devido lugar. Embora as palavras, meus compatriotas, segundo a carne, não signifiquem nada novo, contudo contribuem grandemente para ampliar o significado da passagem. Em primeiro lugar, para prevenir que alguém concluísse que, premeditada, ou instintivamente, ele buscava oportunidade para provocar controvérsia com os judeus, então notifica que não se despira do sentimento de humanidade para que não se sentisse afetado pela terrificante destruição de sua própria carne. Em segundo lugar, visto ser necessário que o evangelho, do qual era arauto, surgisse de Sião, não é sem razão que insista tanto em seus encômios dirigidos a sua raça sem qualquer propósito em vista. A expressão qualificativa, segundo a carne, não é, em minha opinião, adicionada com o propósito de humilhar os judeus, mas para, ao contrário, gerar neles confiança na pessoa do apóstolo. Ainda que os judeus houvessem deserdado a Paulo, ele não oculta o fato de que sua origem está radicada nesta nação, cuja eleição perpetuou vigorosamente na raiz, mesmo quando os ramos haviam murchado. A interpretação de Budaeus acerca do termo anathema contradiz Crisóstomo, que confundiu iivétegia com dváfiripa.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 versículo 2

Romanos 9 versículo 2

2 Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração.


 Que tenho grande tristeza. É bastante habilidosa a interrupção que o apóstolo faz de seu discurso antes de declarar o tema. Não era ainda oportuno mencionar abertamente a destruição da nação judaica. Pode-se igualmente adicionar que, ao proceder assim, ele está demonstrando um profundo grau de tristeza, visto que expressões elípticas geralmente indicam profunda comoção. Mas, oportunamente declarará a causa de sua tristeza, assim que tiver confirmado mais satisfatoriamente sua sinceridade. 
A agonia que o apóstolo sentia tão profundamente por causa da destruição dos judeus, a qual, sabia ele, procedia da vontade e providência de Deus, nos ensina que a obediência que prestamos à providência divina não nos impede de sentirmos tristezas pela perdição de indivíduos dissolutos, ainda que saibamos que são condenados à ruína [eterna] pelo justo juízo de Deus. A mesma mente é capaz  de experimentar estas duas emoções, ou, seja: ao olhar para Deus, se compraz com a ruína daqueles a quem ele determinou destruir; porém, ao volver seus pensamentos para os homens, condói-se deles, ao mirar sua miséria. Portanto, enganam-se completamente os que exigem dos santos uma indiferença estoica ante o sofrimento, e mórbida insensibilidade ante a dor, para não dizer que estão a resistir ao decreto divino.

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO ROMANOS 9 VS 1

Romanos 9 vs 1


Neste capítulo, o apóstolo começa a evitar as ofensas que pode-riam desviar de Cristo a mente humana. Porque os judeus, para quem [Cristo] fora designado através do pacto da lei, não só o rejeitavam ou menosprezavam, senão que a maioria o detestava. Uma de duas conclusões pode-se deduzir deste fato: ou que não existe verdade alguma na promessa divina, ou que o Jesus, então proclamado por Paulo, de forma alguma era o Cristo do Senhor, que fora particular-mente prometido aos judeus. Em suas afirmações subsequentes, Paulo oferece uma excelente solução para ambas essas dificuldades. 

Ele trata este tema, não obstante, com uma habilidade tal que desfaz aquela aspereza que poderia transparecer aos judeus, evitando que viessem a sentir algum rancor. Ele, contudo, não lhes oferece nada que significasse prejuízo para o evangelho, senão que lhes confirma seus privilégios de uma forma tal que não constituísse, também, qualquer prejuízo para a pessoa de Cristo. Mas ele passa à discussão do presente tema de uma forma tão abrupta que parece não haver conexão alguma com seu discurso anterior,' e no entanto começa sua nova exposição como se não fosse qualquer novidade. Eis a razão para tal procedimento: havia ele completado a discussão da doutrina que estivera defendendo, e quando volve sua atenção para os judeus, sente-se atônito com a incredulidade deles, como se para eles isso fosse algo inusitado; e então, de súbito, se deixa impelir por veemente protesto, como se estivesse tratando do mesmo tema que já havia discutido. Ninguém evitaria automaticamente este pensamento: "Se esta é a doutrina da lei e dos profetas, como é possível que os judeus a rejeitem tão obstinadamente?" Existe também o fato notório de que os judeus sentiam profundo ódio por tudo quanto Paulo ensinava a respeito da lei de Moisés e da graça de Cristo, para que viessem oferecer seu apoio à fé dos gentios, em concordância com Paulo. Era indispensável, pois, que este escândalo fosse removido, a fim de que o curso do evangelho não sofresse qualquer sorte de interrupção. 


ROMANOS 9 VS 1
 Em Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo):