
Porquanto, quem morreu, justificado está do pecado.
Este é um argumento
derivado da natureza inerente ou efeito da morte. Se a morte destrói todas as
ações da vida, então nós, que já morremos para o pecado, devemos cessar com
aquelas ações que o pecado exerce durante a trajetória de sua existência
[terrena]. O termo justificados, aqui,
significa libertados ou recuperados da escravidão. Assim como o prisioneiro que
é absolvido da sentença do juiz, se vê livre do vínculo de sua acusação, também
a morte, livrando-nos desta presente vida, nos faz livres de todas nossas
responsabilidades.
Além do mais, embora este seja um exemplo que
não pode ser encontrado em parte alguma entre os homens, contudo não há razão
para considerar esta afirmação como uma especulação fútil, nem razão para
desespero por não figurarmos no número daqueles que crucificaram completamente
sua carne. Esta obra divina não se completou no momento em que teve início em
nós, mas se desenvolve gradualmente, e diariamente avança um pouco mais até
chegar a sua plena consolidação. Podemos sumariar este ensino de Paulo da
seguinte forma. "Se porventura és cristão, então deves revelar em ti mesmo
pelo menos um sinal de tua comunhão na morte de Cristo [communionis cum morte
Christi]; e o fruto disto consiste em que tua carne será crucificada
juntamente com todos os desejos dela. Não deves presumir, contudo, que esta
comunhão não é real só porque ainda encontras em ti traços de carnalidade em
plena atividade. Mas é forçoso que continuamente encontres também traços de
crescimento em tua comunhão na morte de Cristo, até que alcances o alvo
final." Já é suficiente que o crente sinta que sua carne está sendo
continuamente mortificada, e ela não avança mais enquanto o Espírito Santo tem
sob seu controle o miserável reinado exercido por ela [carne]. Há ainda outra
comunhão [communicatio] na morte de Cristo, da qual o apóstolo fala com frequência,
como em 2 Coríntios 4.10-18, a saber: o suportar a cruz, ação esta seguida de
nossa participação [consortium] na vida eterna.
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