Que diremos, pois?
Ao longo deste
capítulo, o apóstolo defende a tese de que aqueles que imaginam que Cristo nos
comunica a justificação gratuita, sem comunicar igualmente a novidade de vida,
dilaceram ignominiosamente a Cristo. Contudo, ele avança um pouco mais e propõe
a seguinte objeção: se os homens continuam em pecado, tal coisa aparentemente
põe diante de nós uma grande oportunidade para que a graça seja ostentada.
Temos experiência de como a carne é inclinada a apresentar alguma justificativa
para sua indiferença. Satanás também vive sempre pronto a engendrar todo gênero
de calúnia com o fim de lançar ao descrédito a doutrina da graça. Não devemos
deixar-nos dominar pelo espanto quando, ao ouvir acerca da justificação pela
fé, a carne com frequência se choca contra diferentes obstáculos, visto que
toda verdade proclamada referente a Cristo é completamente parodoxal pelo
prisma do juízo humano. Entretanto, nosso dever é prosseguir em nossa rota.
Cristo não deve ser suprimido só porque para muitos ele não passa de pedra de
ofensa e rocha de escândalo. Ao mesmo tempo que ele prova ser destruição para
os ímpios, em contrapartida ele será sempre ressurreição para os fiéis. Teremos
sempre que encontrar respostas às questões transcendentais, a fim de que a
doutrina cristã não seja envolvida em aparentes absurdos. O apóstolo sai no
encalço da objeção que é mais comumente assacada contra a proclamação da graça
divina. Ou, seja: se porventura for verdade que a graça de Deus nos assistirá
muito mais liberal e abundantemente à medida que nos sentimos sobrecarregados
com um fardo de pecados sempre mais pesado, então nada melhor que provocarmos a
ira de Deus, submergindo-nos no abismo do pecado e perpetrando-o cada vez mais
com novas ofensas, pois só assim experimentaremos a graça mais abundantemente,
visto que ela se constitui no maior benefício que porventura venhamos a
desejar. Veremos mais adiante como podemos refutar um conceito tão estapafúrdio
e virulento.

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