*Fomos, pois, sepultados com ele.
Ele então começa a
mostrar o que está compreendido em nosso batismo na morte de Cristo, embora não
nos apresente ainda uma explicação satisfatória. O batismo significa que, ao
sermos mortos para nós mesmos, nos tornamos novas criaturas. Paulo corretamente
passa da comunhão na morte de Cristo para a participação de sua vida. Visto que
estas duas se acham inseparavelmente entrelaçadas, nosso velho homem é
destruído pela morte de Cristo, a fim de que sua ressurreição venha a restaurar
nossa justiça e nos transformar em novas criaturas. E visto que Cristo nos foi
dado para a vida, por que devemos morrer com ele, senão para que ressuscitemos
para uma vida muito melhor? Cristo, pois, expõe à morte o que é mortal em nós,
a fim de verdadeiramente restaurar-nos à vida.
Notemos,
além do mais, que o apóstolo aqui não nos exorta simplesmente a imitar a
Cristo, como se nos quisesse dizer que a morte de Cristo é um exemplo
apropriado para que todos os cristãos o sigam. Indubitavelmente, ele tem em
mente algo muito mais elevado. Na verdade, ele está propondo uma doutrina que
mais tarde usará como base hortativa. Sua doutrina, como podemos claramente
ver, consiste em que a morte de Cristo é eficaz para destruir e subjugar a
depravação de nossa carne; e sua ressurreição, para renovar em nós uma natureza
muito superior. Também afirma que, por meio do batismo, somos admitidos à
participação de sua graça. Tendo lançado esta proposição básica, Paulo pode mui
apropriadamente exortar os cristãos a envidarem todo esforço para que vivam de
uma forma que corresponda a seu chamamento. É irrelevante argumentar se este
poder não se evidencia em todos os que são batizados, porquanto Paulo, visto
estar falando a crentes, conecta a realidade e o efeito com o sinal externo
[substantiara et effectum externo signo coniungit], segundo sua maneira usual
de argumentar. Pois sabemos que pela fé é confirmado e ratificado neles tudo
quanto o Senhor oferece por meio do símbolo visível. Em suma, ele nos ensina em
que consiste a verdade do batismo quando corretamente recebido. Assim testifica
que todos os gálatas, os quais haviam sido batizados em Cristo, haviam se
revestido dele [Cl 3.27]. Devemos usar sempre estes termos quando a instituição
do Senhor e a fé dos crentes correspondem, pois jamais possuímos símbolos nus e
vazios [nuda et inania syrnbola], exceto quando nossa ingratidão e impiedade obstruem
a operação da divina munificência .
*Pela glória do Pai.
Ou, seja: pelo
esplêndido poder por meio do qual ele declarou-se verdadeiramente glorioso e
exibiu a magnificência de sua glória. Por isso, o poder de Deus, na Escritura,
que se fez ativo na ressurreição de Cristo, é às vezes apresentado em termos de
muita sublimidade, e com sobejas razões. É de grande importância que enalteçamos
a Deus, fazendo menção explícita de seu incomparável poder, não apenas por
nossa fé na ressurreição final, a qual excede a toda e qualquer percepção da
carne, mas também pelos demais benefícios que recebemos da ressurreição de
Cristo.
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