Como Meditar na Paixão de Cristo
Por Martinho Lutero,
Monge agostiniano e reformador
Em 1519
I. Formas equivocada de meditar na paixão de Cristo
Algumas pessoas meditam na paixão de Cristo e se iram com os judeus. Cantam e falam muito sobre Judas. Só fazem o de sempre. Gostam de se queixar dos demais. Passam todo seu tempo condenando a seus inimigos. Suponho que é uma meditação de certa classe, porem não é uma meditação sobre o sofrimento de Cristo, mas somente uma meditação sobre a maldade dos judeus e de Judas.
Outras aos quais gostam de falar do beneficio de meditar na paixão de Cristo não entendem do que isso se trata. Algo que Alberto disse pode ser muito enganoso: Pensar na Paixão é melhor do que jejuar o ano todo e rezar os salmos todos os dias. Alguns cegamente o seguem, e tomam seu comentário no sentido literal, e logo atuam contrariamente à Paixão de Cristo. Só buscam seus próprios interesses, tratando de evitar fazer outras coisas. De forma supersticiosa, se adornam com imagens e livretos, cartas e crucifixos. Outros até imaginam que fazendo essas coisas estão protegendo-se contra afogamentos, queimaduras, contra a espada e toda classe de perigos. Tratam de usar os sofrimentos de Cristo para evitar que algum sofrimento lhes venha em suas vidas, o qual, óbvio, é totalmente contrário a como a vida é na realidade.
Alem disso, existem pessoas que se agradam em simpatizar emocionalmente com Cristo. Choram e derramam lágrimas sobre ele porque foi tão inocente. São como as mulheres que seguiram a Cristo no caminho desde Jerusalém. Ele as repreendeu! Disse-lhes que deveriam chorar por elas mesmas e por seus filhos. Entram na estação da paixão pensando que recebem um grande beneficio pensando profundamente em como que Jesus saiu de Betânia, ou nas dores e penas que a virgem Maria sofreu. Meditam nessas coisas durantes
horas e horas, porem nunca avança. De alguma forma, não chegam realmente a meditar no verdadeiro sofrimento e morte de Cristo. Só Deus sabe se fazem mais para dormirem do que vigiar e esperar com Cristo. Essa classe de gente inclui aos fanáticos que tratam de ensinar ao povo que esse recebe uma grande benção só assistindo à celebração da Santa Ceia, parando-se lá e vendo a celebração. Tratam de convencer ao povo que só apresentar-se e ver uma missa automaticamente trazem a benção pelo ato mesmo de fazê-lo. Intentam levar o povo a crer que a Ceia do Senhor não tem nada que ver com a fé na promessa da Santa Ceia, nem de ser digno para receber a Santa Ceia. A ceia não foi instituída para seu próprio beneficio, como se o propósito dela fosse somente celebrá-la. Foi dada com o fim de meditar na paixão de Cristo. Se não o fazemos, convertemos a Santa ceia em uma obra humana. Fazemos dela algo inútil, não importa que tão boa seja em si mesma. Deu que lhe serve que Deus seja Deus se não o é para você? Que utilidade tem comer e beber se não beneficia a você? Devemos temer pensar que não faremos melhores só porque celebramos muito a Santa Ceia, enquanto que ao mesmo tempo não recebemos seu verdadeiro beneficio.
II. A maneira correta de pensar na paixão de Cristo
Quando meditamos corretamente na paixão de Cristo, vemos a Cristo e nos aterrorizamos pelo espetáculo. Nossa consciência afunda no desespero. Esse sentimento de terror precisa ocorrer para que comecemos a reconhecer plenamente qual grande é a ira de Deus contra o pecado e os pecadores. Entendemos isso quando vemos que Deus livra aos pecadores só porque seu muito querido Filho – seu único Filho – pagou um resgate tão custoso por nós, como é dito em Isaías 53:8 “pela transgressão do meu povo ele foi atingido”.
O que acontece quando vemos ao querido Filho de Deus fulminado nesta forma? Reconhecemos como indizível, até insuportável é o total compromisso do Filho com a salvação dos pecadores. De que outra forma podemos nos sentir quando reconhecemos que uma pessoa tão grandiosa como Cristo saiu para enfrentar esse destino, sofrendo e morrendo pelos pecadores? Se reflita verdadeira e profundamente no fato de que o Filho de Deus, a Sabedoria eterna de Deus sofre, você se encherá de terror. Quanto mais reflitam nisso, maios terror sentirão.
Você deve crer profundamente, e jamais duvidar, que verdadeiramente você mesmo é o que matou a Cristo. Seus pecados lhe fizeram isso a ele; São Pedro aterrorizou os corações dos judeus quando disse em Atos 2:36-37: “Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” Três mil pessoas se encheram de tanto terror que tremendo de medo, clamaram aos apóstolos: “Que faremos, homens irmãos?”
Assim, quando olhes os cravos penetrando Suas mãos, creia firmemente que é
obra sua. Vê sua coroa de espinhas? Essas suas espinhas são seus maus
pensamentos.
Olha! Quando uma espinha transpassa a Cristo, deves saber que mais de mil
deveriam transpassar a ti! Deveriam transpassar-te por toda a eternidade em
uma forma ainda mais dolorosa que transpassaram a Cristo. Quando vejas aos
cravos transpassar as mãos e os pés de Cristo, se dê conta que tu deves estar
sofrendo isso por toda a eternidade, com cravos ainda mais dolorosos. Todo o
que olha os sofrimentos de Cristo e os esquece, pensando que nada valem,
sofrerá tal destino por toda a eternidade. A paixão de Cristo é um espelho
daquilo que vem. Esse espelho não é nenhuma mentira nem gozação. Tudo o
que Cristo diz que acontecerá, com efeito, sucederá.
Bernardo ficou tão aterrorizado pelos sofrimentos de Cristo que disse: “Em
um tempo pensava que estava seguro. Eu não sabia nada sobre o juízo que
havia pronunciado sobre mim no céu, ate que vi que o Filho eterno de Deus
teve misericórdia de mim. Vi que ele se adiantou e se ofereceu em meu
beneficio, recebendo meu juízo e tomando meu lugar. Já não posso sentir-me
tão despreocupado quando reconheço como são sérios os sofrimentos de
Cristo.” Por isso, Cristo mandou as mulheres “Não choreis por mim; chorai
antes por vós mesmas, e por vossos filhos” (Lucas 23:28)
É como se Jesus dissesse: “Aprenda de minha morte o que tens ganhado e o
que mereces receber”. É como matar a um cão pequeno para assustar ao
cachorro grande. Por isso o profeta disse: “e pranteá-lo-ão sobre ele, como
quem pranteia pelo filho unigênito” (Zacarias 12:10) Não diz que lamentam a
ele. Lamentam seu próprio destino. Isso explica por que o povo se encheu de
terror em Atos 2:37, como já mencionei, e disseram aos apóstolos: “Que
faremos, homens irmãos?” A igreja canta:
“Nisso pensarei com diligência,
E minha alma se murchará.”
Deve-se considerar esse ponto com cuidado. O benefício dos sofrimentos de
Cristo depende totalmente de que se chegue a conhecer bem a si mesmo e se
enche de terror até o ponto de morrer. Se não se chega a esse ponto, os
sofrimentos de Cristo realmente não o beneficiarão. Os sofrimentos de Cristo
realmente fazem a todas as pessoas iguais. Assim como Cristo morre em forma
horrível em seu corpo e alma por nossos pecados, nós, como ele, temos que
morrer em nossa consciência por causa de nossos pecados. Isso não sucede
com muitas palavras, mais sim meditando e reconhecendo profundamente
nossos pecados. Permita que ilustre esse ponto. Digamos que uma pessoa má
mata ao filho de um príncipe ou rei sem molestar a ti, e segues cantando e
jogando como se fosses totalmente inocente. Logo te arrastam e te convencem
que por tua causa o menino foi assassinato. Daria-lhe horror! Tua consciência
te afligiria profundamente. Assim deves estar ainda mais aflito quando
consideres o sofrimento de Cristo. Os judeus que mataram a Cristo, e que
agora foram julgados e exilados por Deus, só foram os servos de teus pecados.
Verdadeiramente você é quem estrangulou e crucificou ao Filho de Deus por
meio de seus pecados.
Se alguém é tão frio e insensível que não se aterroriza quando vê os
sofrimentos de Cristo, deve tremer de terror. Deve chegar a ser como as
imagens do sofrimento de Cristo. Não pode ser de outra forma. Ou aqui no
tempo ou no inferno por toda a eternidade. Ao momento de sua morte, se não
antes, terá que encher-se de terror, temer e agitar-se com tremor, e
experimentar tudo o que Cristo sofreu na cruz. É terrível esperar até o
momento da morte para fazer isso. Pede a Deus e roga que ele suavize seu
coração agora para que possas meditar nos sofrimentos de Cristo de uma forma
que dê fruto. É impossível meditar nos sofrimentos de Cristo por nossa própria
habilidade e poder. Deus tem que implantar esses sofrimentos em nosso
coração. Essa meditação no sofrimento de Cristo, como sucede com todas as
doutrinas divinas, não lhe é entregue para que possa sair e fazer com ela o que
bem queiras. Não, sempre primeiro deves buscar a graça de Deus e a desejar.
Por ti mesmo, não podes fazer nada. Tudo depende da graça de Deus. Os que
nunca enxergam corretamente os sofrimentos de Cristo são os que nunca
invocam a Deus para pedir que os ajude - em vez disso, tratam de considerar
os sofrimentos de Cristo por si mesmos, e terminam considerando os
sofrimentos de Cristo em uma forma somente humana e sem fruto.
Permitam-me que diga isso de forma clara e aberta, para que todos o ouçam.
Todo aquele que medita nos sofrimentos de Cristo na forma correta por um
dia, uma hora, ainda que por quinze minutos, está fazendo algo muito melhor
que jejuar por todo um ano, rezar os salmos todos os dias, ou escutar cem
missas. A meditação correta no sofrimento da Paixão transforma o caráter da
pessoa. Como no batismo, a pessoa nasce de novo com essa meditação. Então,
os sofrimentos de Cristo logram sua verdadeira obra, natural e nobre. Matam o
velho Adão. Elimina de nós toda lascívia, prazer e segurança que talvez
pensemos que uma criatura de Deus nos poderia dar, assim como Cristo foi
abandonado por todos, inclusive por Deus.
Necessitamos reconhecer que sentir que nascemos de novo não é algo que
depende de nós. Pode ser que às vezes oremos por isso, porem, não o
recebemos no momento. Não devemos nos desesperar, mas antes seguir
orando. Às vezes vêm quando não o estamos pedindo. Deus sabe o que
necessitamos. Fará o que mais nos convêm; É livre e sem limites. Pode ser que
quando nossa consciência nos cause angustia e estamos profundamente
insatisfeitos com nossa vida e o que temos feito, não o reconhecemos, porem a
paixão de Cristo está fazendo isso em nós. Por outro lado, alguns podem
pensar que estão meditando na paixão de Cristo, porem se enredam tanto em
pensar neles mesmos que não podem encontrar a saída. O primeiro grupo
realmente medita na paixão de Cristo, os outros só apresentam um espetáculo
que resulta ser falso.
III. O consolo do sofrimento de Cristo
Até esse ponto em nossa discussão, é como se estivéssemos na Semana da
Paixão e na sexta-feira santa. Agora chegamos à Páscoa e à ressurreição de
Cristo. Quando alguém, com a consciência repleta de terror, entende dessa
forma seus pecados, precisa se cuidar para que seus pecados não fiquem em
sua consciência, porque então não daria em nada a não ser somente dúvidas.
Assim como nossos pecados fluíram de Cristo e nos fizemos conscientes deles,
devemos voltar a derramá-los sobre ele e livrar nossa consciência. Cuidem-se
para que não se mordam e devorarem-se uns aos outros com os pecados no
coração, correndo daqui para lá com suas próprias boas obras, tratando de
fazer satisfação por elas, tentando trabalhar a libertação de seu pecado
mediante indulgências. É impossível! Desgraçadamente, ainda muitos, em
muitas partes, pensam que encontram refúgio nessas satisfações e
peregrinações.
Toma seus pecados e deixe-os sobre Cristo. Crê com um espírito gozoso que
seus pecados são suas feridas e sofrimentos. Ele os leva e faz satisfação por
eles, como é dito em Isaias 53:6 “mas o SENHOR fez cair sobre ele a
iniqüidade de nós todos.” e em 1 Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu
corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados,
pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” e em
Coríntios 5:21 Paulo diz: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por
nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” Você deve confiar em
versículos como esses na Bíblia com toda sua força, ainda mais quando sua
consciência trate de lhe matar a ti. Nunca acharás a paz se perdes essa
oportunidade para tranquilizar seu coração. Terás tantas dúvidas que se
desesperarias. Se pensarmos demasiadamente em nossos pecados, repassando
lhes uma e outra vez em nossa consciência, mantendo-os em nosso coração, logo serão muitíssimos para que os possamos manejar e viverão para sempre.
Porem, quando enxergamos nossos pecados em Cristo, e Lhe vemos triunfar sobre eles com Sua ressurreição, e sem temor o cremos, nossos pecados estão mortos e desaparecem. Não sobram sobre Cristo, mas sim são tragados pela Sua ressurreição. Agora não vê nenhuma ferida, nenhuma dor, nenhum pecado em absoluto Nele. Por isso Paulo diz em Romanos 4:25 que Jesus “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”. Em Seu sofrimento, Cristo deu a conhecer nossos pecados e foi crucificado por eles. Por Sua ressurreição, faz-nos justos e livra-nos de todo pecado. Se você não pode crer, pede a Deus fé para tal. Isso depende totalmente de Deus. Às vezes Ele dá fé de uma forma muito dramática e aberta, em outras ocasiões, de forma secreta e tranquila.
Portanto, é isso o que deves fazer. Primeiro já deixe de olhar os sofrimentos de Cristo. Fizeram sua obra e te aterrorizaram. Segue adiante através de todas as dificuldades e olha Seu coração amistoso. Veja como está o coração de Deus cheio de amor para contigo. Esse amor O motivou a sobrecarregar a pesada carga de sua consciência e seu pecado. Se você faz isso, seu coração se encherá de doce amor para com Ele. A segurança de sua fé se fortalecerá. Suba mais alto através do coração de Cristo até o coração de Deus, e verás que Cristo não poderia ter-lhe amado se Deus não tivesse desejado isso com Seu amor eterno. Cristo é obediente a esse amor, e assim lhe ama. No coração de Deus tu acharás um coração divino, bondoso, paternal. Como Cristo diz, você será atraído ao Pai por meio de Cristo. Então, entenderá o que Cristo queria dizer quando disse João 3:16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”. Assim conhecemos a Deus como ele quer que O conheçamos. Não O conhecemos por Seu poder e sabedoria, que nos atemorizam, mas sim pela Sua bondade e amor. Lá nossa fé e confiança então inamovíveis. Assim a pessoa realmente nasce de novo em Deus.
Quando seu coração está posto em Cristo, você é um inimigo do pecado, por causa do amor e não por temer ao castigo. Os sofrimentos de Cristo devem ser um exemplo para toda sua vida. Você deve meditar nesses sofrimentos de outra forma. Até agora temos considerado a paixão de Cristo como um sacramento que trabalha em nós. Agora, queremos considerá-la de outra maneira, como algo que trabalha em nós quando sofremos. Quando chegue o dia em que a enfermidade e a dor pesem sobre ti, penses qual pouca coisa é em comparação com os espinhos e os cravos de Cristo. Se tiveres que fazer algo que não queres, ou não possas fazer algo que querias, pense em como Cristo foi levado por outros, atado como prisioneiros. O orgulho te fere? Pensa como o Senhor foi burlado e envergonhado em companhia de assassinos. Acometem-lhe pensamentos impuros e lascivos, impondo-se sobre ti? Pensas em como foi amargo para Cristo que se lhe rompesses a carne, fosses dilacerado e açoitado, uma e outra vez. Existem ódios e invejas lutando em ti, ou buscas vingar-te? Lembres como Cristo orou por ti, e por todos os Seus inimigos, com muitas lágrimas e gritos. Ele teve mais razão que você para buscar a vingança! Se algum problema ou adversidade te molesta no corpo ou na alma, tenhas ânimo! Digas: “Por que não devo eu sofrer também um pouco, já que meu Senhor suou gotas de sangue no jardim devido Sua angústia e dor? Serias eu um servo frouxo e vergonhoso só querendo descansar em minha cama, enquanto meu Senhor tem que batalhar com uma dolorosa morte?”
Dessa forma encontras força em Cristo e consola-te quando luta contra toda classe de vício e maus costumes. Assim se deve meditar na paixão de Cristo. Esse é o fruto de Seu sofrimento. Por isso, aquele que medita na paixão de Cristo dessa forma, realmente faz algo melhor do que ouvir a leitura de toda a história da paixão e ler toda classe de missas. As pessoas que fazem da vida e do nome de Cristo parte de suas próprias vidas, com toda razão recebem o nome de cristãos, como Paulo fala em Gálatas 5:24: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” Temos necessidade de meditar na paixão de Cristo, não com muitas palavras ou com uma exibição impressionante, mas sim usando dela devidamente em nossa vida. Paulo nos admoesta em Hebreus 12:3: “Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.” Pedro diz em 1 Pedro 4:1 “Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado.” Porem, essa classe de meditação na paixão de Cristo não se usa muito. É muito excepcional, ainda que as epístolas de Paulo e Pedro estejam repletas delas. Temos convertido a essência da meditação na paixão de Cristo em um espetáculo, e simplesmente temos pintado a meditação da paixão de Cristo em letras e nas paredes.
A Deus somente seja a Glória!
FONTE:
Traduzido do espanhol Cómo meditar en la pasión de Cristo, de http://www.iglesiareformada.com/Lutero_Como_Meditar_Pasion_Cristo.html
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
Tradução: Armando Marcos Pinto
Por Martinho Lutero,
Monge agostiniano e reformador
Em 1519
I. Formas equivocada de meditar na paixão de Cristo
Algumas pessoas meditam na paixão de Cristo e se iram com os judeus. Cantam e falam muito sobre Judas. Só fazem o de sempre. Gostam de se queixar dos demais. Passam todo seu tempo condenando a seus inimigos. Suponho que é uma meditação de certa classe, porem não é uma meditação sobre o sofrimento de Cristo, mas somente uma meditação sobre a maldade dos judeus e de Judas.
Outras aos quais gostam de falar do beneficio de meditar na paixão de Cristo não entendem do que isso se trata. Algo que Alberto disse pode ser muito enganoso: Pensar na Paixão é melhor do que jejuar o ano todo e rezar os salmos todos os dias. Alguns cegamente o seguem, e tomam seu comentário no sentido literal, e logo atuam contrariamente à Paixão de Cristo. Só buscam seus próprios interesses, tratando de evitar fazer outras coisas. De forma supersticiosa, se adornam com imagens e livretos, cartas e crucifixos. Outros até imaginam que fazendo essas coisas estão protegendo-se contra afogamentos, queimaduras, contra a espada e toda classe de perigos. Tratam de usar os sofrimentos de Cristo para evitar que algum sofrimento lhes venha em suas vidas, o qual, óbvio, é totalmente contrário a como a vida é na realidade.
Alem disso, existem pessoas que se agradam em simpatizar emocionalmente com Cristo. Choram e derramam lágrimas sobre ele porque foi tão inocente. São como as mulheres que seguiram a Cristo no caminho desde Jerusalém. Ele as repreendeu! Disse-lhes que deveriam chorar por elas mesmas e por seus filhos. Entram na estação da paixão pensando que recebem um grande beneficio pensando profundamente em como que Jesus saiu de Betânia, ou nas dores e penas que a virgem Maria sofreu. Meditam nessas coisas durantes
horas e horas, porem nunca avança. De alguma forma, não chegam realmente a meditar no verdadeiro sofrimento e morte de Cristo. Só Deus sabe se fazem mais para dormirem do que vigiar e esperar com Cristo. Essa classe de gente inclui aos fanáticos que tratam de ensinar ao povo que esse recebe uma grande benção só assistindo à celebração da Santa Ceia, parando-se lá e vendo a celebração. Tratam de convencer ao povo que só apresentar-se e ver uma missa automaticamente trazem a benção pelo ato mesmo de fazê-lo. Intentam levar o povo a crer que a Ceia do Senhor não tem nada que ver com a fé na promessa da Santa Ceia, nem de ser digno para receber a Santa Ceia. A ceia não foi instituída para seu próprio beneficio, como se o propósito dela fosse somente celebrá-la. Foi dada com o fim de meditar na paixão de Cristo. Se não o fazemos, convertemos a Santa ceia em uma obra humana. Fazemos dela algo inútil, não importa que tão boa seja em si mesma. Deu que lhe serve que Deus seja Deus se não o é para você? Que utilidade tem comer e beber se não beneficia a você? Devemos temer pensar que não faremos melhores só porque celebramos muito a Santa Ceia, enquanto que ao mesmo tempo não recebemos seu verdadeiro beneficio.
II. A maneira correta de pensar na paixão de Cristo
Quando meditamos corretamente na paixão de Cristo, vemos a Cristo e nos aterrorizamos pelo espetáculo. Nossa consciência afunda no desespero. Esse sentimento de terror precisa ocorrer para que comecemos a reconhecer plenamente qual grande é a ira de Deus contra o pecado e os pecadores. Entendemos isso quando vemos que Deus livra aos pecadores só porque seu muito querido Filho – seu único Filho – pagou um resgate tão custoso por nós, como é dito em Isaías 53:8 “pela transgressão do meu povo ele foi atingido”.
O que acontece quando vemos ao querido Filho de Deus fulminado nesta forma? Reconhecemos como indizível, até insuportável é o total compromisso do Filho com a salvação dos pecadores. De que outra forma podemos nos sentir quando reconhecemos que uma pessoa tão grandiosa como Cristo saiu para enfrentar esse destino, sofrendo e morrendo pelos pecadores? Se reflita verdadeira e profundamente no fato de que o Filho de Deus, a Sabedoria eterna de Deus sofre, você se encherá de terror. Quanto mais reflitam nisso, maios terror sentirão.
Você deve crer profundamente, e jamais duvidar, que verdadeiramente você mesmo é o que matou a Cristo. Seus pecados lhe fizeram isso a ele; São Pedro aterrorizou os corações dos judeus quando disse em Atos 2:36-37: “Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” Três mil pessoas se encheram de tanto terror que tremendo de medo, clamaram aos apóstolos: “Que faremos, homens irmãos?”
Assim, quando olhes os cravos penetrando Suas mãos, creia firmemente que é
obra sua. Vê sua coroa de espinhas? Essas suas espinhas são seus maus
pensamentos.
Olha! Quando uma espinha transpassa a Cristo, deves saber que mais de mil
deveriam transpassar a ti! Deveriam transpassar-te por toda a eternidade em
uma forma ainda mais dolorosa que transpassaram a Cristo. Quando vejas aos
cravos transpassar as mãos e os pés de Cristo, se dê conta que tu deves estar
sofrendo isso por toda a eternidade, com cravos ainda mais dolorosos. Todo o
que olha os sofrimentos de Cristo e os esquece, pensando que nada valem,
sofrerá tal destino por toda a eternidade. A paixão de Cristo é um espelho
daquilo que vem. Esse espelho não é nenhuma mentira nem gozação. Tudo o
que Cristo diz que acontecerá, com efeito, sucederá.
Bernardo ficou tão aterrorizado pelos sofrimentos de Cristo que disse: “Em
um tempo pensava que estava seguro. Eu não sabia nada sobre o juízo que
havia pronunciado sobre mim no céu, ate que vi que o Filho eterno de Deus
teve misericórdia de mim. Vi que ele se adiantou e se ofereceu em meu
beneficio, recebendo meu juízo e tomando meu lugar. Já não posso sentir-me
tão despreocupado quando reconheço como são sérios os sofrimentos de
Cristo.” Por isso, Cristo mandou as mulheres “Não choreis por mim; chorai
antes por vós mesmas, e por vossos filhos” (Lucas 23:28)
É como se Jesus dissesse: “Aprenda de minha morte o que tens ganhado e o
que mereces receber”. É como matar a um cão pequeno para assustar ao
cachorro grande. Por isso o profeta disse: “e pranteá-lo-ão sobre ele, como
quem pranteia pelo filho unigênito” (Zacarias 12:10) Não diz que lamentam a
ele. Lamentam seu próprio destino. Isso explica por que o povo se encheu de
terror em Atos 2:37, como já mencionei, e disseram aos apóstolos: “Que
faremos, homens irmãos?” A igreja canta:
“Nisso pensarei com diligência,
E minha alma se murchará.”
Deve-se considerar esse ponto com cuidado. O benefício dos sofrimentos de
Cristo depende totalmente de que se chegue a conhecer bem a si mesmo e se
enche de terror até o ponto de morrer. Se não se chega a esse ponto, os
sofrimentos de Cristo realmente não o beneficiarão. Os sofrimentos de Cristo
realmente fazem a todas as pessoas iguais. Assim como Cristo morre em forma
horrível em seu corpo e alma por nossos pecados, nós, como ele, temos que
morrer em nossa consciência por causa de nossos pecados. Isso não sucede
com muitas palavras, mais sim meditando e reconhecendo profundamente
nossos pecados. Permita que ilustre esse ponto. Digamos que uma pessoa má
mata ao filho de um príncipe ou rei sem molestar a ti, e segues cantando e
jogando como se fosses totalmente inocente. Logo te arrastam e te convencem
que por tua causa o menino foi assassinato. Daria-lhe horror! Tua consciência
te afligiria profundamente. Assim deves estar ainda mais aflito quando
consideres o sofrimento de Cristo. Os judeus que mataram a Cristo, e que
agora foram julgados e exilados por Deus, só foram os servos de teus pecados.
Verdadeiramente você é quem estrangulou e crucificou ao Filho de Deus por
meio de seus pecados.
Se alguém é tão frio e insensível que não se aterroriza quando vê os
sofrimentos de Cristo, deve tremer de terror. Deve chegar a ser como as
imagens do sofrimento de Cristo. Não pode ser de outra forma. Ou aqui no
tempo ou no inferno por toda a eternidade. Ao momento de sua morte, se não
antes, terá que encher-se de terror, temer e agitar-se com tremor, e
experimentar tudo o que Cristo sofreu na cruz. É terrível esperar até o
momento da morte para fazer isso. Pede a Deus e roga que ele suavize seu
coração agora para que possas meditar nos sofrimentos de Cristo de uma forma
que dê fruto. É impossível meditar nos sofrimentos de Cristo por nossa própria
habilidade e poder. Deus tem que implantar esses sofrimentos em nosso
coração. Essa meditação no sofrimento de Cristo, como sucede com todas as
doutrinas divinas, não lhe é entregue para que possa sair e fazer com ela o que
bem queiras. Não, sempre primeiro deves buscar a graça de Deus e a desejar.
Por ti mesmo, não podes fazer nada. Tudo depende da graça de Deus. Os que
nunca enxergam corretamente os sofrimentos de Cristo são os que nunca
invocam a Deus para pedir que os ajude - em vez disso, tratam de considerar
os sofrimentos de Cristo por si mesmos, e terminam considerando os
sofrimentos de Cristo em uma forma somente humana e sem fruto.
Permitam-me que diga isso de forma clara e aberta, para que todos o ouçam.
Todo aquele que medita nos sofrimentos de Cristo na forma correta por um
dia, uma hora, ainda que por quinze minutos, está fazendo algo muito melhor
que jejuar por todo um ano, rezar os salmos todos os dias, ou escutar cem
missas. A meditação correta no sofrimento da Paixão transforma o caráter da
pessoa. Como no batismo, a pessoa nasce de novo com essa meditação. Então,
os sofrimentos de Cristo logram sua verdadeira obra, natural e nobre. Matam o
velho Adão. Elimina de nós toda lascívia, prazer e segurança que talvez
pensemos que uma criatura de Deus nos poderia dar, assim como Cristo foi
abandonado por todos, inclusive por Deus.
Necessitamos reconhecer que sentir que nascemos de novo não é algo que
depende de nós. Pode ser que às vezes oremos por isso, porem, não o
recebemos no momento. Não devemos nos desesperar, mas antes seguir
orando. Às vezes vêm quando não o estamos pedindo. Deus sabe o que
necessitamos. Fará o que mais nos convêm; É livre e sem limites. Pode ser que
quando nossa consciência nos cause angustia e estamos profundamente
insatisfeitos com nossa vida e o que temos feito, não o reconhecemos, porem a
paixão de Cristo está fazendo isso em nós. Por outro lado, alguns podem
pensar que estão meditando na paixão de Cristo, porem se enredam tanto em
pensar neles mesmos que não podem encontrar a saída. O primeiro grupo
realmente medita na paixão de Cristo, os outros só apresentam um espetáculo
que resulta ser falso.
III. O consolo do sofrimento de Cristo
Até esse ponto em nossa discussão, é como se estivéssemos na Semana da
Paixão e na sexta-feira santa. Agora chegamos à Páscoa e à ressurreição de
Cristo. Quando alguém, com a consciência repleta de terror, entende dessa
forma seus pecados, precisa se cuidar para que seus pecados não fiquem em
sua consciência, porque então não daria em nada a não ser somente dúvidas.
Assim como nossos pecados fluíram de Cristo e nos fizemos conscientes deles,
devemos voltar a derramá-los sobre ele e livrar nossa consciência. Cuidem-se
para que não se mordam e devorarem-se uns aos outros com os pecados no
coração, correndo daqui para lá com suas próprias boas obras, tratando de
fazer satisfação por elas, tentando trabalhar a libertação de seu pecado
mediante indulgências. É impossível! Desgraçadamente, ainda muitos, em
muitas partes, pensam que encontram refúgio nessas satisfações e
peregrinações.
Toma seus pecados e deixe-os sobre Cristo. Crê com um espírito gozoso que
seus pecados são suas feridas e sofrimentos. Ele os leva e faz satisfação por
eles, como é dito em Isaias 53:6 “mas o SENHOR fez cair sobre ele a
iniqüidade de nós todos.” e em 1 Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu
corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados,
pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” e em
Coríntios 5:21 Paulo diz: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por
nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” Você deve confiar em
versículos como esses na Bíblia com toda sua força, ainda mais quando sua
consciência trate de lhe matar a ti. Nunca acharás a paz se perdes essa
oportunidade para tranquilizar seu coração. Terás tantas dúvidas que se
desesperarias. Se pensarmos demasiadamente em nossos pecados, repassando
lhes uma e outra vez em nossa consciência, mantendo-os em nosso coração, logo serão muitíssimos para que os possamos manejar e viverão para sempre.
Porem, quando enxergamos nossos pecados em Cristo, e Lhe vemos triunfar sobre eles com Sua ressurreição, e sem temor o cremos, nossos pecados estão mortos e desaparecem. Não sobram sobre Cristo, mas sim são tragados pela Sua ressurreição. Agora não vê nenhuma ferida, nenhuma dor, nenhum pecado em absoluto Nele. Por isso Paulo diz em Romanos 4:25 que Jesus “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”. Em Seu sofrimento, Cristo deu a conhecer nossos pecados e foi crucificado por eles. Por Sua ressurreição, faz-nos justos e livra-nos de todo pecado. Se você não pode crer, pede a Deus fé para tal. Isso depende totalmente de Deus. Às vezes Ele dá fé de uma forma muito dramática e aberta, em outras ocasiões, de forma secreta e tranquila.
Portanto, é isso o que deves fazer. Primeiro já deixe de olhar os sofrimentos de Cristo. Fizeram sua obra e te aterrorizaram. Segue adiante através de todas as dificuldades e olha Seu coração amistoso. Veja como está o coração de Deus cheio de amor para contigo. Esse amor O motivou a sobrecarregar a pesada carga de sua consciência e seu pecado. Se você faz isso, seu coração se encherá de doce amor para com Ele. A segurança de sua fé se fortalecerá. Suba mais alto através do coração de Cristo até o coração de Deus, e verás que Cristo não poderia ter-lhe amado se Deus não tivesse desejado isso com Seu amor eterno. Cristo é obediente a esse amor, e assim lhe ama. No coração de Deus tu acharás um coração divino, bondoso, paternal. Como Cristo diz, você será atraído ao Pai por meio de Cristo. Então, entenderá o que Cristo queria dizer quando disse João 3:16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”. Assim conhecemos a Deus como ele quer que O conheçamos. Não O conhecemos por Seu poder e sabedoria, que nos atemorizam, mas sim pela Sua bondade e amor. Lá nossa fé e confiança então inamovíveis. Assim a pessoa realmente nasce de novo em Deus.
Quando seu coração está posto em Cristo, você é um inimigo do pecado, por causa do amor e não por temer ao castigo. Os sofrimentos de Cristo devem ser um exemplo para toda sua vida. Você deve meditar nesses sofrimentos de outra forma. Até agora temos considerado a paixão de Cristo como um sacramento que trabalha em nós. Agora, queremos considerá-la de outra maneira, como algo que trabalha em nós quando sofremos. Quando chegue o dia em que a enfermidade e a dor pesem sobre ti, penses qual pouca coisa é em comparação com os espinhos e os cravos de Cristo. Se tiveres que fazer algo que não queres, ou não possas fazer algo que querias, pense em como Cristo foi levado por outros, atado como prisioneiros. O orgulho te fere? Pensa como o Senhor foi burlado e envergonhado em companhia de assassinos. Acometem-lhe pensamentos impuros e lascivos, impondo-se sobre ti? Pensas em como foi amargo para Cristo que se lhe rompesses a carne, fosses dilacerado e açoitado, uma e outra vez. Existem ódios e invejas lutando em ti, ou buscas vingar-te? Lembres como Cristo orou por ti, e por todos os Seus inimigos, com muitas lágrimas e gritos. Ele teve mais razão que você para buscar a vingança! Se algum problema ou adversidade te molesta no corpo ou na alma, tenhas ânimo! Digas: “Por que não devo eu sofrer também um pouco, já que meu Senhor suou gotas de sangue no jardim devido Sua angústia e dor? Serias eu um servo frouxo e vergonhoso só querendo descansar em minha cama, enquanto meu Senhor tem que batalhar com uma dolorosa morte?”
Dessa forma encontras força em Cristo e consola-te quando luta contra toda classe de vício e maus costumes. Assim se deve meditar na paixão de Cristo. Esse é o fruto de Seu sofrimento. Por isso, aquele que medita na paixão de Cristo dessa forma, realmente faz algo melhor do que ouvir a leitura de toda a história da paixão e ler toda classe de missas. As pessoas que fazem da vida e do nome de Cristo parte de suas próprias vidas, com toda razão recebem o nome de cristãos, como Paulo fala em Gálatas 5:24: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” Temos necessidade de meditar na paixão de Cristo, não com muitas palavras ou com uma exibição impressionante, mas sim usando dela devidamente em nossa vida. Paulo nos admoesta em Hebreus 12:3: “Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.” Pedro diz em 1 Pedro 4:1 “Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado.” Porem, essa classe de meditação na paixão de Cristo não se usa muito. É muito excepcional, ainda que as epístolas de Paulo e Pedro estejam repletas delas. Temos convertido a essência da meditação na paixão de Cristo em um espetáculo, e simplesmente temos pintado a meditação da paixão de Cristo em letras e nas paredes.
A Deus somente seja a Glória!
FONTE:
Traduzido do espanhol Cómo meditar en la pasión de Cristo, de http://www.iglesiareformada.com/Lutero_Como_Meditar_Pasion_Cristo.html
Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público
Tradução: Armando Marcos Pinto
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